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domingo, julho 23, 2006

Ás vezes


Ás vezes sinto saudades daquele tempo
em que a vida corria leve sem sobressalto,
do tempo em que riamos e cantávamos alto
aproveitando cada segundo de cada momento.
Ás vezes sinto saudades das conversas banais
em que trocávamos segredos cheios de emoção,
do tempo em que abríamos sem receio o coração
sempre cheio de sonhos e de loucos ideais.
Ás vezes sinto saudades daquela altura
em que não sabia nem entendia nada da vida,
do tempo em que não me sentia tão perdida
e onde não havia lugar para qualquer amargura.
Ás vezes sinto saudades do tempo que já passou
e que na pressa mudou tudo sem sequer avisar,
do tempo que hoje me limito a recordar
e cuja serena tranquilidade nunca mais voltou.
Ás vezes sinto saudades daquele tempo
em que éramos felizes na pura ignorância,
do tempo em que todos os dias eram infância
e em que o mundo se movia com outro alento.
Ás vezes sinto saudades do tempo lá de trás
em que tudo parecia ser tão mais fácil de entender,
do tempo em que ainda não sabia que as coisas más
é que nos fazem crescer e nos ensinam a viver...

quarta-feira, julho 05, 2006

Perdi-me...

Perdi-me no silêncio da palavras
que nunca tive coragem de dizer,
escondi-me no silêncio de gestos
que nunca tive coragem de fazer.
Perdi-me no silêncio das decisões
que nunca tive coragem de tomar,
escondi-me no silêncio dos desejos
que nunca tive coragem de realizar.
Perdi-me no silêncio do meu coração
que nunca tive coragem de controlar,
escondi-me no silêncio deste sonho
que nunca tive coragem de concretizar.
Perdi-me no silêncio desta mágoa
que nunca tive coragem de revelar,
escondi-me no silêncio desta dor
que nunca tive coragem de debelar.
Perdi-me no silêncio da minha solidão

e escondi-me de mim sem o perceber,
perdi-me no silêncio da minha decepção
e escondi-me dentro do meu próprio ser.

sábado, julho 01, 2006



Pouco mais...

De ti ficaram pouco mais que recordações

de pequenos nada que julgava serem tudo,

ficaram as conversas, os arrufos, as confissões,

as vezes em que me olhavas num silêncio mudo,

ficaram os risos, os toques e as intenções,

os momentos, as ternuras, a sensações.

De ti ficaram pouco mais que ilusões

que aos poucos tomaram o meu coração,

ficaram os abraços, os medos, as tensões,

as vezes que o teu olhar me tirava o chão,

ficaram as vivências, a saudade, as emoções,

os gestos, os carinhos e todas as decepções.

De ti ficou pouco mais que a incerteza

de quem não entende o que nos aconteceu,

ficaram as memórias de ter sido princesa

e todas as vezes em que foste o meu Romeu,

ficaram pequenos vestigios de amor e pureza,

as sombras baças do que um dia foi certeza...


Coisas do coração


E se o teu coração de ferro e aço
se derretesse no calor de um abraço?
E se o teu coração magoado e fechado
se abrisse com um sorriso iluminado?

E se os teus maiores medos e receios
desaparecessem atónitos e alheios?
E se os teus maiores sonhos e desejos
se realizassem numa promessa de beijos?

E se tudo o que sempre quiseste evitar
tivesse a força de uma onda do mar?
E se tudo aquilo a que sempre disseste não
tivesse o encanto de uma mágica paixão?

E se o teu coração de ferro e aço
se fundisse na ternura de um abraço?
E se o teu coração cansado desta solidão
batesse mais forte ao toque de uma mão?

E se tudo o que sempre te fez confusão
aos poucos abrisse uma porta no teu coração?
E se tudo o que nunca quiseste ter
fosse a luz mais brilhante no teu viver?
HP