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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A carta que nunca enviei



Leio e releio vezes sem conta a mesma carta,
aquela cujo papél já ganhou um tom amarelado
fruto do tempo que passa sem sequer se importar.
A tinta já perdeu aquela cor brilhante de prata,
aquela cor especial que procurei por todo o lado
e que era a única cor que eu queria usar.

Já sei de cor as palavras que aquela carta diz,
aquela carta onde sem medo abri o coração
e disse tudo o que há muito te queria dizer.
Aquela carta que, acreditava, me faria feliz,
aquela que escrevi sem medo nem obrigação,
aquela onde disse tudo o que havia para dizer.

Já não sei quantas vezes a li e depois reli,
e de cada vez que a leio apetece-me chorar
tal foi a dose de emoção que nela coloquei.
Lê-la é quase como estar juntinho de ti,
faz-me sentir a paixão que te ousei revelar
numa carta de amor que nunca te enviei...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Hoje fiz-lhe as malas...

Hoje fiz-lhe as malas e sem pensar
pus tudo o que lhe pertencia lá dentro,
esvaziei as gavetas e os armários,
rasguei as cartas e queimei os diários,
hoje decidi que estava na hora de acabar,
hoje decidi ser o meu próprio centro
e sem pensar sequer nos comentários
desfiz o rosário dos nossos fadários.

Hoje abri-lhe a porta de par em par
e pedi-lhe que saisse sem dizer nada,
disse-lhe que estava na hora de partir
e que hoje sem falta tinha mesmo de ir,
hoje disse-lhe que me cansára de esperar,
que me cansara de me sentir abandonada,
hoje disse-lhe que estava na hora de sair
e arranjar outro lugar para onde seguir.

Hoje fiz-lhe as malas e abri-lhe a porta,
hoje reabri para o mundo o meu coração,
hoje numa decisão que já não tem volta
expulsei de vez da minha vida a solidão!!