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sábado, julho 26, 2008

Um simples desabafo...

Há uma nova actividade em vias de expansão,
diria mesmo que quase desporto nacional,
largamente praticada esta arte da invenção
cuja finalidade é da vida alheia dizer mal.
Já se perdeu o velho hábito do comentário
e até do mexerico tão comum e tão banal,
agora faz-se algo novo e extraordinário:
inventam-se novas histórias e ponto final!
Inventam-se umas coisitas para dar animação,
acrescentam-se mil pontos ao conto original
e se nos descuidamos e não prestamos atenção
uma unha encravada passa a doença terminal!
Pessoas que pouco falam e menos ainda se dão
quando dão por ela estão a caminho do altar,
e num volte de face cheio de imaginação
antes do casamento já se estão para divorciar.
Amigos, que nunca o foram, num piscar de olhos
passam a ser melhores amigos desde a infância,
e as histórias e as mentiras surgem aos molhos
mas sempre contadas com certeza e muita elegância.
E assim, se controem novas vidas, novas metas,
assim se destroem verdades e probabilidades,
e essas mentes desocupadas mas sempre bem abertas
aos poucos matam a realidade e abafam a eventualidade!

terça-feira, julho 22, 2008

Até ao vinho


Do trabalho árduo das mãos dos lavradores
que cuidam os seus preciosos vinhedos,
que sem olhar a fadigas nem a dores
as tratam segundo ancestrais segredos
hão-de nascer cachos feitos de ricas uvas
maduras pelo sol e abençoadas pelas chuvas.
Quando por fim o dourado Outono chegar
hão-de vindimar-se esses preciosos cachos,
laboriosos pés os hão-de pisar e repisar
num velho ritual destinado apenas a machos,
esse mosto há-de repousar e há-de ferver
para em velhos barris por fim se verter.
Do mosto que nasceu cacho na primavera
se fará o néctar dos deuses chamado vinho
que depois de silenciosa e cuidada espera
será por fim provado em dia de São Martinho,
e quando é bom o resultado há sorrisos no ar
pois afinal valeu a pena todo o duro trabalhar.
Cada copo de vinho tem uma história a contar
que começou nas vinhas, nas podas, no atar,
no desladroar, no desparrar e por fim no colher
e tudo mais que foi preciso para o podermos beber!

(Participação no 11º Concurso Literário do site Luso-Poemas com o tema "O Vinho" - 2008 - 13º Lugar)