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quarta-feira, junho 30, 2010

Saramago num poema


Imagem retirada do Google - Site:static.publico.clix.pt

Nasceste num lugar diferente da Terra do Pecado,
estudaste num Manual de Caligrafia e Pintura,
Levantado do Chão onde a vida te quis prostrar
ficaste amarrado e preso ao Memorial do Convento,
No ano da Morte de Ricardo Reis iniciaste uma viagem
numa inigualável Jangada de Pedra de fino trato,
descobriste a História do Cerco de Lisboa e nunca
acreditaste em religião que não nesse desprezado
Evangelho Segundo Jesus Cristo que te feriu de morte
o orgulho de ser Português e te levou para outras paragens,
abriste os olhos dos homens num Ensaio Sobre a Cegueira
e sem nunca viveres numa Caverna foste um Homem Duplicado
que se multiplicou em muitos num largo campo de acção,
no Ensaio sobre a Lucidez deixaste antever o que seriam
As intermitências da Morte e numa Viagem de Elefante
abriste portas à discussão, à contradição, à revolta e ao espanto
ao dares a conhecer ao mundo esse teu Caim que seria sem saberes
o prenúncio de um fim… o teu fim…o fim do homem enquanto matéria
e o inicio do homem enquanto energia eterna e imortal
que leva A Bagagem do viajante Deste Mundo e do Outro,
e deixa neste mundo terreno saudade e As Pequenas Memórias.

segunda-feira, junho 21, 2010

Desfolho as letras do teu nome - 2º Lugar na Categoria de Soneto nos VI Jogos Florais do Concelho de Tondela

(Imagem retirada do Google)



Desfolho as letras do teu nome como malmequeres
amarelos colhidos num jardim à beira da estrada,
desfolho-as e penso no que dirás quando souberes
que me dizem que afinal por ti nunca fui amada.

Desfolho as letras do teu nome em quieta surdina
na escuridão da noite que me envolve os pensamentos,
desfolho-as e por momentos volto a ser a menina
que acreditava na pura inocência dos sentimentos.

Desfolho as letras do teu nome como uma ladainha
na esperança de que a repetição se torne realidade
e de que num passe de magia apareças junto de mim,

de que num gesto mudo ponhas a tua mão na minha
e de que por momentos o sonho possa ser verdade
e de que na escuridão da noite se faça luz por fim.

terça-feira, junho 08, 2010

Oh Concelho de Ferreira


Oh concelho de Ferreira cheio de beleza e encanto
Orgulhosamente vestido com o teu verdejante manto,
O Zêzere ledo e calmo se espraia em ti de lés a lés
E o Ribatejo rendido abraça a Beira a teus pés.

Nove são as freguesias que trazes no coração
Todas belas e airosas cheias de alma e tradição,
Cada uma com seu santo, sua lenda e sua história
Que se perde no tempo muito para alem da memória.

Pedro Ferreira te deu foral e D. João III te fez vila,
Pertenceste aos Templários e foste da Ordem de Cristo,
Keil compôs a Portuguesa na tua paisagem tranquila
E deu ao país um hino como nunca se havia visto.

D. Carlos foi caçador na vastidão dos teus montes,
Foste berço de mil nomes e outros tantos talentos,
Brotam em ti frescas águas que dão de beber às fontes
Onde se refrescam as almas e aclaram os pensamentos.