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terça-feira, maio 31, 2016

Não desisto de ti... de mim...

Sei que me olham de soslaio quando chuto pedras na rua, quando paro a tentar fazer festas a todos os gatos que encontro, quando assobio uma melodia qualquer ou quando simplesmente sem dar conta trauteio desafinadamente uma canção...

Sei que comentam quando visto aquela roupa colorida, cheia de padrões psicadélicos ou quando o cabelo rebelde amanhece indomável e não há gel nem escova que o faça ficar perfeitamente penteado...

Sei que interiormente condenam as minhas atitudes, as aventuras em que embarco, as coisas que finalmente ganhei coragem de fazer e que ingenuamente insisto em partilhar...

Sei que gostavam que fosse diferente, que fosse socialmente mais adequada, que me comportasse de acordo com a minha idade, como se trepar árvores ou saltar poças de água tivesse uma idade certa para se fazer...

Sei que preferiam que fizesse parte dos padrões socialmente correctos, que fosse uma lady... 

Pergunto-me se estou assim tão errada? Será assim tão errado querer viver e aproveitar os momentos? Será assim tão errado querer ver a vida com cores bonitas? Será assim tão errado querer manter viva a chama da vontade de aprender, de viver, de descobrir, de conhecer? Será assim tão errado querer acreditar que a vida não tem de ser cheia de regras e protocolos?

Não sei... apenas sei que não vou desistir... não vou ignorar... não vou asfixiar... nem vou esconder... vou manter viva, vou cuidar e estimular a criança que ainda existe dentro de mim!

Podem condenar, podem comentar, podem achar cobras e lagartos...apenas tenho uma coisa a dizer: triste de quem mata a sua criança interior... triste de quem prefere "morrer" para a vida do que ousar vive-la...

domingo, maio 29, 2016

Mini Conto (ou tentativa II)



Eram um par do outro mundo: ela vivia com a cabeça na Lua e ele morava nas estrelas que encontrara nos olhos dela...

Mini Conto (ou tentativa...)


Ela era rosas, madressilva e jasmim...ele era hortelã, malvas e açucenas... quando o acaso os fez cruzar ficou no ar um perfume a flores, sonhos e amanhã...

quarta-feira, maio 18, 2016

Revolta-me!

Um certo senhor, presidente de um certo sindicato, do alto da sua importância afirmou que certa classe pode manter uma certa greve por mais tempo do que aquele que a economia aguenta! E o certo senhor, disse esta pérola da democracia, do desenvolvimento, da produtividade e do progresso há mais de 3 dias e ninguém comentou! Alguém afirma com todas as letras que os trabalhadores em greve estão a ser pagos para fazer greve, que têm noção dos danos que isso causa à economia e...nada...silêncio absoluto! 
Mas compreende-se é muito mais importante quem ganhou o campeonato, o que diz o treinador a, b ou c, quem vestiu o quê onde, quem levou o decote maior aos Globos de Ouro...coisas que realmente interessam para aumentar a produtividade e fazer o país avançar!

E enquanto andamos nisto, enquanto impera o silêncio em redor do assunto e enquanto o sindicato "força" alguns a compactuar com esta greve, enquanto ninguém se decide a negociar, enquanto ninguém põe mão nisto, enquanto meio país assobia para o lado, andam uns quantos desesperados porque querem trabalhar e têm matéria-prima sequestrada nos contentores no terminal da Liscont! Andam uns quantos a parar máquinas, a parar produções, a parar pessoas, a perder encomendas, a deixar de vender, a não ter produto nas prateleiras, a perder clientes!
Andam uns quantos a tentar fazer-se ouvir...sem que ninguém os queira escutar!

E ainda há certos senhores, de certa classe, membros de certo sindicato, que têm a distinta lata de dizer que têm salários em atraso, que há quem esteja a passar necessidades e mandar quem questiona as suas palavras ir trabalhar para a Coreia do Norte onde pode ser explorado e viver sem direito! E têm a distinta lata de estar a receber estando em greve! E vêm as esposas dos ditos senhores da dita classe, em carta aberta, apresentar as suas lástimas porque os maridos trabalham 80horas e nunca receberam mais de 8€ à hora! A esses senhores tenho uma coisa a dizer: até ia para a Coreia do Norte trabalhar de graça... mas não posso porque os senhores não estão a fazer o vosso trabalho e ia acabar fechada num contentor no vosso terminal por tempo indeterminado!

Não tenho nada contra quem luta pelos seus direitos...tenho tudo contra quem para lutar pelos seus direitos passa por cima dos direitos dos outros, os ofende, os destrata e ainda se dá ao luxo de nada dizer quando confrontados com números e factos!

Tenho tudo contra quem extrema posições, contra quem recusa negociar, contra quem sob falsos pretextos prejudica quem quer e precisa trabalhar, tenho contra quem se recusa a ouvir e tenho sobretudo contra quem luta sob falsos argumentos!

E já que não posso fazer mais nada...e já que ninguém nos ouve... e já que ninguém parece querer saber...resta-me o desabafo...que ainda posso fazer a menos que um certo senhor, de um certo sindicato também decida que não posso falar!

terça-feira, maio 10, 2016

A greve dos estivadores e o direito à indignação




Perdoem-me o desabafo mas tem de ser… há coisas que, como dizem os antigos me revoltam os fígados.

Desde o dia 20 de Abril que está em curso uma greve da mão-de-obra portuária no Porto de Lisboa, tendo nesta data o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes marítimos do Centro e Sul de Portugal ordenado a paragem de todo o trabalho portuário em Lisboa.

Desde a mesma data estão paralisados neste porto um sem número de contentores, muitos deles já com o processo de desalfandegamento concluído e inclusive com o IVA pago à cabeça, que não têm ordem para ser libertados.

Não obstante todos os danos causados até então, no dia 28 de Abril o referido Sindicato avançou com novo pré-aviso de greve até dia 27 de Maio, tendo no mesmo dia sido emitido um comunicado por parte do Ministério do Mar a dar conta que as negociações tinham fracassado em dois pontos mas que os serviços mínimos estavam garantidos.

Nestes serviços mínimos incluem-se a movimentação de cargas destinadas às Regiões Autónomas e operações de carga e descarga de mercadorias deterioráveis e matérias-primas para alimentação. Oficialmente está tudo a ser cumprido… na prática sabemos que não é assim. Na prática sabemos que existe um sem número de contentores que não são libertados e oficiosamente sabe-se que o braço de ferro está para durar.

Na prática o que resta a quem tem contentores parados, sobretudo no terminal LISCONT, é enviar toda a documentação possível ao Armador, que por sua vez envia ao Sindicato, que por sua vez analisa e decide se o material em questão se enquadra ou não nos serviços mínimos e ordena o seu levantamento em dia e hora, por si fixada, ou simplesmente recusa.

Não tenho nada contra quem luta pelos seus direitos, tenho sim contra quem para lutar pelos seus direitos viola os direitos dos outros, contra quem paralisa a economia retendo contentores de matéria-prima, contra quem impede as empresas de laborar, contra quem promove o inflacionamento de preços de matéria-prima como a soja e o bagaço de soja para as rações, contra quem põe em causa postos de trabalhos de terceiros que se vêm impedidos de laborar por falta de matéria-prima, contra quem põe em causa processos de exportação e sobretudo contra quem de forma velada ajuda a matar um bocadinho mais a cada dia que passa uma economia já por si debilitada.

Indigna-me que a Comunicação Social quase não fale no assunto, que não comente o que se passa, que se limite a assistir e a publicar de quando em vez uma breve notícia, apenas para que não se diga que nada se comunica.
Indigna-me que uma classe que se diz ofendida e ultrajada, que clama estar a ser enxovalhada em praça pública e a ver a sua imagem denegrida, seja a mesma que fez com que só este ano mais de 100 navios deixassem de atracar no Porto de Lisboa, que sejam aqueles que reclamam que é utilizada mão-de-obra mais barata e um sistema de escravatura os mesmos que apresentam taxas de absentismo de 40%.
Indigna-me que sob a bandeira da luta pelos direitos se estejam a sufocar empresas e a ameaçar postos de trabalho de pessoas que trabalham para receber ordenados em nada comparáveis com os destes senhores, porque precisam de sobreviver.
Indigna-me que a classe politica assobie para o lado e se limite a afirmar que não problema, se a greve se mantiver os serviços mínimos também se vão manter.
Indigna-me que o direito à indignação seja usado como arma de arremesso.
Indigna-me que uma classe trabalhadora tenha o poder de ordenar a paralisação do Porto de uma capital Europeia e sobretudo indigna-me que tenha o poder de asfixiar a economia, o tão badalado aumento das exportações e deitar por terra qualquer vestígio de incentivo à produtividade.

Indigna-me esta situação! Indigna-me este não querer saber! Indigna-me que as pessoas usem a bandeira dos direitos e das liberdades em vão! Indigna-me a conivência política com esta situação! Indigna-me sobretudo querer trabalhar e não poder porque um senhor qualquer de um Sindicato com mais nome que juízo decidiu que a matéria-prima que lá tem sequestrada em diversos contentores não é uma prioridade! E como já não posso fazer mais nada, a não indignar-me, pelo menos até que venha um chico esperto de um Sindicato qualquer dizer que indignar-me também não se enquadra nos serviços mínimos…indigno-me e partilho a minha indignação.

segunda-feira, maio 09, 2016

Um dia acordas


Um dia acordas...

Um dia, sem saber bem como, acordas do coma existencial em que tens vivido e percebes que afinal a vida é feita de muitas cores, de muitas curvas e contracurvas, de muitos erros e acertos, de muitas coisas boas e de muitas coisas más. Mas, mais importante que isso, acordas e percebes que a culpa das coisas menos boas não é tua e de repente deixas de te sentir culpado pelas acções dos outros e de carregar o peso do mundo nos ombros.

Um dia percebes que és mais do que aquilo a que te quiseram reduzir, que vales mais do que aquilo que as pessoas estavam dispostas a dar por ti, que consegues mais do que aquilo que as pessoas te incentivaram a tentar, que és livre, que podes ser quem quiseres, quando quiseres e fazer o que quiseres.

Um dia percebes que as coisas não dão errado por tua culpa, que as pessoas não se afastam por tua causa, que os erros não acontecem por tu os provocares.

Um dia percebes que a base da existência é o respeito e a confiança, percebes que não vale a pena perder tempo a tentar perceber as desculpas de alguém que não te consegue olhar nos olhos enquanto fala, percebes que não vale a pena perder tempo a persistir numa coisa que não leva a lado nenhum, percebes que a mania de ser bonzinho e não querer magoar ninguém só te traz dissabores, percebes que ser directo é uma arma poderosa capaz de apanhar as pessoas desprevenidas e de as fazer atropelar-se a si mesmas.

Um dia percebes que tu és mais tu! Que vales pelo que és e que és muito mais do que aquilo que tu mesmo acreditavas ser. Um dia percebes que as pessoas não mudam, nem querem adaptar-se...mas querem que tu mudes em função dos seus caprichos.

Um dia percebes que por vezes perder é ganhar! Um dia percebes que por vezes arriscar é ganhar! Um dia percebes que acreditar é viver!

Um dia acordas e percebes que o mundo é muito mais... percebes que tu és muito mais... e percebes que isso, em lugar de te angustiar te dá força, te dá ânimo, te dá paz, te dá confiança e te dá harmonia! Um dia acordas e percebes que o tempo nunca se perde, apenas se investe em coisas que por vezes não valem a pena.

Um dia acordas e percebes que insistir é mau, que persistir naquilo que se quer e se acredita é bom e que desistir nunca é opção...! Um dia tu acordas e percebes que tu mereces o melhor de ti!

domingo, maio 08, 2016

Coisas que fazem pensar

Às vezes ouvimos coisas que nos deixam a pensar... que nos fazem ponderar... que nos fazem viajar, por vezes, dentro de nós mesmos em busca do seu significado, da sua lógica, da forma como se aplicam a nós.

Acontece com frequência sermos confrontados com palavras que nos fazem pensar, que nos fazem analisar a nossa existência e por vezes até ver o mundo que nos rodeia com outros olhos como se tivéssemos sido levados a outra dimensão da nossa existência.

Este fim de semana tive uma dessas experiências... uma frase que me deixou a pensar e que ainda não me saiu da cabeça. Uma frase que numa primeira reacção me fez rir... mas que com o passar das horas me fez pensar... e pensar... e pensar.

E com o passar do tempo percebo que afinal, apesar da reacção imediata de impossibilidade absoluta, essa frase simples e singela tem a força de uma verdade que muitas vezes ignoramos, por medo, por cobardia ou simplesmente porque nos habituámos a acreditar que não somos bons o suficiente, inteligentes o suficiente, capazes o suficiente... porque nos convencemos a nós mesmos que não somos capazes, que não temos em nós a capacidade, a vontade ou a habilidade de fazer algo.

O interessante, é que por razões que ainda desconheço, esta frase aparentemente fora de contexto começa a fazer sentido... começa a levantar perguntas, começa a despoletar energias, vontades e capacidades... começa a mexer com verdades instituidas, começa a mudar coisas...

"Se eu consigo, tu também consegues. Eu sou uma pessoa como tu, logo se eu consigo tu também consegues." - Heis a frase tão simples e tão complexa que ameaça mudar muitas coisas :) para melhor, claro!