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domingo, setembro 11, 2016

Hipocrisia Sazonal

Depois de meditar sobre o assunto...cheguei à conclusão de que existem pessoas que sofrem de uma espécie de doença ainda não diagnosticada: hipocrisia sazonal.

Sendo que a hipocrisia é o acto de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui e sazonal é uma característica de um evento que ocorre sempre numa determinada época do ano, parece-me lógica a junção de ambos para explicar certas atitudes em certas alturas do ano.


Já sei... estão a pensar: não estou a perceber nada! Pois então eu passo a explicar.

Durante o ano há quem passe o tempo a criticar esta porque usa as saias muito curtas, aquela porque usa um decote descomunal, a outra porque usa aquelas roupas meio transparentes...passam o ano a criticar, a falar das opções de cada um, dos gostos de cada um. Algumas pessoas não usam decotes porque acham que isso é indecoroso, outras não usam roupas curtas porque há coisas que não são para mostrar a toda a gente, outras não usam calções porque não gostam de andar de pernas ai léu... e por aí fora... mas depois essas mesmas pessoas pavoneiam-se nas praias com uns biquínis minúsculos, aparecem por aí com micro saias, frequentam ginásios e eventos públicos com roupas coleantes, calções que parecem cintos e decotes até ao umbigo... hummm curioso...

O que será que faz as pessoas terem dois pesos e várias medidas? Criticarem o ano inteiro e depois no Verão 
tornam-se a personificação de tudo aquilo que andaram o resto do tempo a criticar? 
Tornarem-se de repente naquilo que tanto estigmatizaram, naquilo que tanto criticaram, naquilo que tanto julgaram?

A melhor forma de o interpretar é acreditar que sofrem de hipocrisia sazonal!

Da mesma forma que existem pessoas que passam o tempo a criticar outras, passam por elas sem lhes falar como se tivessem alguma espécie de peste, olham-nas de soslaio, não lhes ligam nenhum e de repente quando essas pessoas fazem alguma coisa que chama a atenção, que tem mérito, que tem impacto, que é comentado, estão na fila da frente a dar abraços e beijinhos e a dizer " Eu sempre soube que tu eras capaz".

Mais uma vez: hipocrisia sazonal!

E que dizer daquelas pessoas para quem somos invisíveis a maior parte do tempo, que nunca se dão ao trabalho de aparecer, que não se dão ao trabalho de telefonar, que parecem nunca se importar com a nossa existência, mas que de repente quando nos encontram e até vêem que estamos bem dizem um rasgado: "Gostei tanto de te ver! Aparece!"

Sério? Caso típico de hipocrisia sazonal.

E quem não se lembra de mil outras situações, de mil outras vezes em que as atitudes das pessoas contradizem aquilo que passam a vida a apregoar, a criticar, a maldizer, a criticar? E quem não se lembra de pelo menos uma vez ter sido vitima de hipocrisia sazonal?

Cá por mim parece-me tão lógico e tão óbvio...que talvez seja ridículo verbalizar esta teoria...mas enfim, corro o risco...

terça-feira, setembro 06, 2016

Perguntas...

Perguntas... diversas perguntas que são feitas em voz alta e outras que ficam no silêncio escondido de quem teme as respostas...e prefere não arriscar.

Respostas que são naturais, simples, óbvias nalguns casos...noutros nem tanto.

Onde queres chegar? Onde a vontade, a determinação e a persistência me levarem...

Qual é o objectivo? Melhorar...ser cada dia um pouco melhor...descobrir quem sou e do que sou capaz...

Porquê? Simples: porque sim...porque quero... porque me apetece...porque tenho vontade...

Não achas que já chega? Não...por acaso até nem acho.

Não provaste já o que querias? Não! Não quero provar nada a ninguém... a não ser a mim mesma!

Não te preocupa que te achem ridícula? Não! Ridículos são os que se acomodam, os que não ousam evoluir, crescer, os que não tentam melhorar, os que não ousam viver, os que não ousam sonhar, os que temem enfrentar a vida, os que que temem as opiniões dos outros, os que preferem apenas existir em lugar de viver.

Não... nada disso... não sou nem quero ser melhor que ninguém... quero apenas ser o melhor que posso ser...quero aprender...quero conhecer-me, entender os meus limites e as minhas reais capacidades...quero viver... quero evoluir...quero crescer...quero ser a melhor versão de mim que conseguir ser... e quero que se dane quem não entender isso!

Está respondido...ou é preciso explicar melhor? ;)

domingo, setembro 04, 2016

quinta-feira, setembro 01, 2016

Micro Conto...


Na vida o que importa...

A vida não é como o placard onde se anotam resultados de um jogo.

Não importa com quem saíste, com quem te zangaste, com quem conviveste, com quem namoraste, quem beijaste, quem odiaste ou quem fingiste não existir ou quem apagaste da tua vida e do teu mundo.

Não importa a cor ou o padrão da tua roupa, o tamanho do salto dos sapatos que usas, a cor que usas no cabelo, onde vives, onde te divertes ou onde gostas de estar.

Não importa o que disseste, nem o que ficou por dizer, nem o que fizeste, nem o que querias ter feito mas nunca tiveste coragem, não importa quem querias ter sido, o que querias ter lido ou que que querias ter conhecido.

Na vida…nenhuma dessas coisas importa realmente. Na vida o que importa é o que tu amas e o que feres… é sobretudo a forma como tu te sentes em relação a ti próprio…a forma como tu aprendeste a amar-te a ti mesmo, com todos os teus defeitos e todas as tuas qualidades.

Na vida o que importa são as coisas que fazem da tua vida uma vida de verdade: é o amor, é a confiança, é a compaixão, é a coragem e é a alegria.

Na vida o que importa são as pessoas que ficam contigo no bem e no mal, aquelas com quem podes contar nos dias de sol e nos dias de tempestade, aquelas que se alegram com o teu sucesso e não invejam os teus esforços nem os teus resultados.

Na vida o que importa não são as palavras que dizes mas o sentido com que as dizes, a forma como as dizes e a força com que as dizes.

Na vida o que importa é o que tu sentes, é aceitar as pessoas como são e pelo que são, é ser justo, ser verdadeiro, ser fiel a si mesmo… o que importa é não te venderes por qualquer preço nem trocares a tua dignidade por favores…o que importa é seres capaz de te aceitar a ti mesmo para saberes aceitar os outros.

Na vida o que importa é que a tua vida sirva para tocar a vida dos outros, que o teu sorriso sirva para acender outros sorrisos, que o que tu és sirva de exemplo e de motivação, que tu sejas feliz e que sejas capaz de espalhar felicidade em teu redor, que tu encontres a tua paz e com isso tornes o mundo que te rodeia mais doce e mais sereno.


Na vida o que importa são as escolhas que fazes…sobretudo quem tu escolhes ser…por isso escolhe com sensatez porque a tua escolha pode tornar o mundo um lugar mais belo e especial…

Na areia húmida





Na areia húmida desta praia deixo a marca dos meus passos
Impressa com a força do meu desanimo e dos meus cansaços,
Marcas que se vão apagando com as lágrimas que se escapam
Dos meus olhos, lágrimas que me atormentam e me matam.

Lágrimas de terna saudade da pessoa que eu já fui um dia
E que se perdeu algures nos labirintos desta vida estranha,
Lágrimas de mágoa por tudo o que em tempo sonhava e queria
E que com o tempo se tornou numa ilusão fosca e tamanha.

Lágrimas que o vento que corre ao cair desta tarde outonal
Aos poucos vai enxugando até ficarem apenas finos traços,
Lágrimas que se misturam com o salgado das ondas do mar,

Lágrimas que me lembram que tudo um dia tem o seu final,
Lágrimas que vão além dos sentidos, das almas e dos espaços,
Lágrimas de quem hoje desistiu de continuar a sofrer e a chorar.


In "Emoções à flor do Verso"