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terça-feira, agosto 22, 2017

Um cheirinho... de quem sabe o quê :)

Excerto de quem sabe...uma nova aventura :)



(...) Viveu anos preso a um amor que lhe consumia o coração e a alma e só se libertou no dia, em que sentado discretamente no último banco da igreja, a ouviu dizer "Até que a morte nos separe" àquele que se tornava seu marido e que despertara nela o amor com que ele apenas se limitara a sonhar durante 30 anos... (...)

quarta-feira, agosto 16, 2017

A Máfia do fósforo



Ultimamente todos temos acompanhado a dramática situação dos incêndios em Portugal, todos nos temos indignado, todos nos temos revoltado e todos nos temos questionado o que raio têm feito as comissões de inquérito criadas para averiguar situações semelhantes ocorridas em anos anteriores a fim de delinear estratégias e evitar que se volte a repetir tal cenário...

Também é verdade, que os Bombeiros têm literalmente estado de baixo de fogo, em todas as frentes, e que se a catadupa de palavras que tem vindo a ser vociferadas fosse água os incêndios estavam extintos à muito tempo.

Como em qualquer situação reclamamos com a primeira pessoa que nos aparece, a que dá a cara... e no caso infeliz dos incêndios quem dá a cara são os Bombeiros e são eles que por tabela levam com o rol de palavras de indignação, de revolta, de mágoa e de desalento.

Não esqueçamos contudo que os Bombeiros são pessoas, têm casa, têm família, têm pertences e que deixam tudo para trás para tentar salvar a vida e os pertences de outros, quantas vezes a quilómetros de distância...e quantas vezes enquanto combatem as chamas em povoações distantes a sua própria terra é consumida pelas chamas...fazem-no a troco de uma ninharia...sim que neste país um Bombeiro recebe por hora menos de metade do que uma senhora que trabalhe a dias, sem desprimor nenhum para a profissão que é digna e honrada e por vezes tida até como das mais mal pagas.

Mas deixemo-nos de tapar o sol com a peneira... todos sabemos que o fogo é uma máfia, um grupo terrorista organizado armado de fósforos e engenhos explosivos e movido pelo cheiro do dinheiro...ainda que isso signifique a morte de pessoas, a destruição da floresta e a literal redução a cinzas da vida das pessoas. O fogo é um negócio que movimenta milhões e que é alimentado por interesses que ninguém quer melindrar...por isso todos os anos se assobia para o lado, vem Pedro e Paulo com os seus discursos da treta, promessas e promessas e no ano a seguir lá vem mais do mesmo.

Deste negócio uma boa parte abrange dos meios aéreos para combate a incêndios. Este negócio disparou nos últimos anos. Até aos anos 90 a maioria dos meios aéreos envolvidos pertencia à Força Aérea (FAP), que nos anos 80 gastou cerca de 200.000 contos em equipamentos, nos anos 90 o Secretário de Estado da altura entendeu, sabe Deus, ou o Diabo porquê, que não competia à FAP intervir nos incêndios e que essa actividade deveria ser levada a cabo por entidades civis. O certo é que se arrumaram os C130 e que os kit MAFFS (Modular Airborne FireFighting System) foram deixados a apodrecer nos hangares de uma unidade aérea. O certo é que a Força Aérea tem uma estrutura organizada, que devidamente oleada podia poupar milhares e milhares de euros ao contribuinte... têm as pistas, têm os meios, têm as equipas de manutenção, mecânicos...ah mas os pilotos não estão preparados..ahah... pois deve ser por isso que alguns tiram férias nesta época para ir voar em empresas civis de combate a incêndios. Bom... a verdade é que a FAP não paga prémios nem comissões...

Obviamente seria necessário formação, equipamento, aeronaves para o efeito...mas ainda assim o investimento estimado (que no ano passado rondaria os 70 milhões de euros) seria muito inferior ao valor gasto anualmente com o combate a incêndios por parte de entidades civis (cerca de mil milhões de euros). Um ponto fundamental: a FAP não sendo entidade privada, sendo de todos os portugueses não tem interesse em que haja incêndios.

Mas este grupo terrorista conta com o "apoio"da justiça, que nestes casos parece ser cega, surda e muda, se não como se justifica que os incendiários tenham penas tão irrisórias (a pequena minoria que é condenada)? O que justifica que sejam apanhados, presentes a tribunal e sujeitos a termo de identidade e residência? Ah tem perturbações mentais e tal... pois... são malucos, são malucos mas fogem, não ficam lá...

Depois temos ainda a forma brilhante como funciona a descoordenação no terreno... sim... não é uma gralha, é literalmente descoordenação. Nem sequer vamos falar no bendito SIRESP, porque isso é pano para mangas...vamos limitar-nos a mencionar a forma como os Bombeiros no terreno estão atados de pés e mãos e só actuam sob ordens vindas de Lisboa! Realmente lá nos mapas deve ver-se bem as casas, as aldeias perdidas na serra, as pessoas em desespero...às vezes dá a sensação que o combate aos incêndios é uma versão infeliz daquele célebre jogo "RISK".

Resumindo e baralhando...um dia quando alguém tiver a coragem de pôr o dedo na ferida, quando o poder político tiver coragem de assumir o jogo de interesses que movimenta esta grande máquina dos incêndios, quando se discutir abertamente todos os pontos, quando as pessoas deixarem de ser ludibriadas por balelas vindas de engravatados bem falantes, quando se assumir que os incêndios são uma máfia terrorista organizada movimentada pelo cheiro de milhões de euros... nesse dia sim, talvez soprem ventos de mudança... mas enquanto esse dia não chega lembremos que os Bombeiros são meros peões neste jogo, que não fazem o suficiente porque não podem, porque não os deixam, porque não têm como... lembremos que honram o lema "Vida por Vida" muitas com sacrifício da sua própria vida...lembremos que são o elo mais fraco desta cadeia de interesses instituídos que só muita coragem, muita determinação e muita luta poderão quebrar.


quarta-feira, agosto 09, 2017

Chuva de verão

Talvez não tenhas sido mais do que chuva no verão,
Sabes, daquela chuva que refresca a terra seca e árida
E que por algum tempo lhe devolve o verde e a vida…
Talvez não tenhas disso mais que trovoada de primavera,
Sabes, daquela que chega de surpresa, sem aviso prévio
E que ao passar deixa a marca do seu estrondo seco…
Talvez não tenhas sido mais que uma folha seca no outono,
Sabes, daquelas que se soltam e rendem a uma nova estação
E revestem o chão de um manto vermelho e dourado…
Talvez não tenhas sido mais que uma noite fria de inverno,
Sabes, daquelas em que buscamos o aconchego de um gesto
E o carinho delicado de uma palavra dita com sinceridade…
Talvez não tenhas sido mais que uma tempestade de estações,
Sabes, daquelas que vêm e vão num simples piscar de olhos
E que desaparecem, dando apenas lugar a uma boa lembrança…
Talvez não tenhas sido mais do que um breve momento,
Sabes, daqueles que acontecem apenas de vez em quando
E que são maravilhosos enquanto duram… mas que acabam…
Talvez não tenhas sido mais do que uma breve e doce ilusão,
Sabes, daquelas que ficam para o resto da vida guardadas
Como o alento que um dia nos fez acreditar num novo amanhã…