segunda-feira, março 13, 2006


Quem nunca teve um grande amor?
Um amor daqueles que nos faz tirar os pés do chão, ganhar asas e flutuar no espaço como uma nuvem?
Um amor daqueles que nos faz andar com um sorriso idiota na cara faça chuva ou faça sol?
Um amor daqueles que nos tira o sono de noite e nos enche a alma de dia?
Um amor daqueles que nos faz pensar no presente e sonhar com o futuro?
Um amor daqueles em que os olhos se iluminam, o coração dispara e o sorriso se abre?
Um amor daqueles com que sonhamos a vida inteira?
Por certo já todos tivemos um amor assim...o que talvez nem todos tenhamos tido é a sorte de ter sido correspondidos... ou talvez tenhamos sido e nunca tenhamos sabido...
Se nunca fomos correspondidos... é triste, mas a ilusão doce fica a vida toda, presa a nós como uma terna recordação...
Mas se fomos correspondidos e nunca soubemos senão quando já era demasiado tarde...aí fica a tristeza, a mágoa, a revolta, a decepção e a eterna pergunta "Mas porquê que nunca soube?".
Como é que alguém pode ter coragem de amar assim tão intensamente e nunca dizer nada? Como é que alguem pode correr o risco de perder o amor e a amizade simplesmente porque é mais cómodo calar o coração?
Como é que alguém pode amar e fingir que não ama?
Como é que alguém tem a coragem de deixar passar um verdadeiro amor ao lado apenas porque é mais simples e menos trabalhoso?
Não sei...
Mas sei que quando se acorda e se percebe que aquilo que julgámos ter como certo se afasta em busca de um porto de abrigo mais seguro, aí tentamos resgatar tudo... e inevitavelmente falhamos.
Não seria mais fácil seguir o coração?
Não seria mais fácil chorar por se ter arriscado e não ter conseguido do que chorar a vida toda uma incerteza?
Não seria mais honesto acreditarmos em nós e no que sentimos?
Seja como for, acredito que quando se ama, quando realmente se ama, devemos dar a conhecer tal facto ao alvo dos nossos afectos. Se formos correspondidos...ouro sobre azul! Se não formos é porque essa pessoa não nos merece nem merece um sentimento tão nobre.
Afinal já dizia o provérbio... vale mais sofrer por amor do que por nunca ter tido coragem de amar!

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Desabafo

Hoje apetece-me comprar um bilhete só de ida
Para um sitio bem longínquo e bem deserto,
Talvez para uma ilha desconhecida e perdida,
Talvez para onde o longe nunca se faça perto.
Hoje apetece-me desaparecer para longe daqui
Para um sitio onde não tenha de ver ninguém,
Talvez para um sitio de que nem falar já ouvi,
Talvez para um sitio onde nunca tenha ido ninguém.
Hoje apetece-me descer o pano e sair de cena
Para de uma vez por todas acabar com esta peça,
Talvez para não ter de ver os olhares de pena,
Talvez para uma distância que o tempo não meça.
Hoje apetece-me ir para qualquer parte incerta
Para não ter de ouvir nem ver quem quer que seja,
Talvez para ignorar a raiva que em mim desperta,
Talvez para que nunca mais ninguém me veja.
Hoje apetece-me deixar de ser eu, deixar de existir
Para deixar de ter de repetidamente passar por isto,
Talvez para deixar de sentir dentro de mim tudo isto,
Talvez para toda a gente saber que calo mas não desisto.
Hoje apetece-me dizer tudo o que me vai na alma
Para finalmente perceberem que me fazem sofrer,
Talvez para verem que vivo em aparente calma,
Talvez para me deixarem quieta com o meu viver.
Hoje apetece-me mandar tudo para o ar, para as urtigas
Para finalmente dizer tudo o que trago preso em mim,
Talvez para exorcizar memórias usadas e antigas,
Talvez para este tormento interno chegar ao fim.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Na face branca de uma qualquer folha de papel
Desenho os traços revoltos e negros da minha alma,
Os traços que hoje me atormentam e desesperam,
Os traços que hoje quase me fizeram perder a calma,
Os traços que hoje quase vida própria tiveram,
Desenho os traços profundos e negros da revolta
Que hoje se acendeu nas profundezas do meu ser,
Que hoje se perdeu sem hipótese de haver volta,
Que hoje incendiou as horas lentas do meu viver,
Desenho os traços desiludidos e negros da vergonha
Que senti face a esse comentário frio e mesquinho,
Que senti face a essa frieza crua e quase medonha,
Que senti face a esse despeito que em surdina adivinho,
Desenho os traços magoados e negros do meu coração
Depois de ter ouvido essas palavras venenosas e letais,
Depois de ter ouvido e sufocado a minha decepção,
Depois de ter percebido que as coisas não serão iguais,
Desenho os traços enraivecidos e negros do meu pensar
Que me toldam a vista e vão entorpecendo os sentidos,
Que me fazem ter força para me erguer e para lutar,
Que me relembram sentimentos há muito adormecidos,
Na face branca de uma qualquer folha de papel
Desenho os traços revoltos e negros da minha alma,
Os traços que hoje me atormentam e desesperam,
Os traços que hoje me fizeram perder toda a calma,
Os traços que a partir de hoje em cada sombra te esperam!

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Há dias assim...

Há dias em que sou toda Primavera,
alegre, bem disposta, florida e radiosa,
uma ave que voa feliz na sua esfera,
um leve e harmonioso botão de rosa.

Há dias em que sou toda Verão,
brilhante, colorida e encantadora,
sorriso que passa de mão em mão,
esperança juvenil e sedutora.

Há dias em que sou toda Outono,
melancólica, nostálgica e calada,
um sonho que não encontra o dono,
uma sensação esquecida e ignorada.

Há dias em que sou toda Inverno,
triste, solitária, cheia de mágoa e dor,
uma alma que já viveu o seu inferno,
um desejo que já perdeu a sua cor.

Há dias em que sou quatro estações,
alegria, luz, crepúsculo e vento,
há dias em que não controlo emoções,
há dias em que tudo é desalento.

Há dias em que sou apenas eu,
onde me perco, choro e rebento,
onde lembro o que o tempo esqueceu,
onde cai e me ergo com novo alento.

Há dias em que sou eu somente,
onde me encontro, rio e aguento,
onde volto a ser Verão novamente,
onde volto a ser bálsamo e unguento.

És...

És o meu mágico eclipse lunar,
o feitiço que me faz flutuar,
a poção que me deixa embriagada,
és o meu tudo e o meu nada.

És o meu poço de mágicos desejos,
o fruto de todos os meus ensejos,
a miragem que vem no deserto,
és o meu longe e o meu perto.

És a minha estrelinha da sorte,
o brilho que me faz ser forte,
a certeza no meio da confusão,
és a minha luz e a minha escuridão.

És a minha loucura anunciada,
o caminho para me sentir amada,
a calma no meio da ventania,
és a minha noite e o meu dia.

És a essência dentro do meu ser,
o amor que não posso perder,
a cura para toda a minha dor,
és a minha paixão e o meu amor.

És tudo o que eu um dia sonhei,
a alma gémea que tanto busquei,
a bússola que me indica o norte,
és o meu azar e a minha sorte.

És a outra metade perdida de mim,
a flor mais doce deste meu jardim,
a única mentira que um dia foi verdade,
és a minha vida e a minha eternidade.
Estupidamente Só...!

Já alguma vez te sentiste estupidamente só?
Como se andasses vazio no meio da imensidão,
como se fosses pedra polida de uma mó,
como se não fosses ninguém no meio da multidão?

Já alguma vez te sentiste estupidamente só?
como se vivesses fechado dentro de uma caixa,
como se apenas inspirasses tristeza e dó,
como se fosses o servo que apenas se rebaixa?

Já alguma vez te sentiste estupidamente só?
Como se não importasse aquilo que já viveste,
como se fosses amarra que desfez o nó,
como se fosses o resto daquilo que perdeste?

Já alguma vez te sentiste estupidamente só?
Já alguma vez te sentiste estupidamente triste?

Não? Pois eu sinto-me exactamente assim,
estupidamente só e estupidamente triste,
como se não houvesse mais nada dentro de mim,
como se passasse ao lado de tudo o que existe.

Não? Pois eu digo-te exactamente qual é a sensação
estúpida de estar perdido no meio do vazio:
é como se fossemos uma cicatriz no coração,
é como se fossemos leito onde não corre um rio.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Realmente há coisas que não se entendem…a mim pelo menos fazem-me confusão.
Talvez pareça uma idiotice, mas faz-me confusão as pessoas que dizem uma coisa e fazem outra, que sentem uma coisa e agem de forma contrária, que querem uma coisa e lutam por outra diferente… porquê que me faz confusão? Simplesmente porque não sei como lidar com essas pessoas, tenho dificuldade em relacionar-me com elas e sobretudo não sei muito bem como me dirigir a elas.
Como diabo é que uma pessoa quer muito, muito, muito uma coisa e depois não faz nada para a conseguir? Isso a mim faz-me confusão.
Outra coisa que não entendo são aquelas pessoas que passam a vida a lamentar-se das desgraças que lhe acontecem e que parecem nunca estar satisfeitas com nada e que até quando contamos algo mau que nos aconteceu eles têm de ter uma história pior para contar, quando temos uma dor num dedo eles têm de ter uma na mão toda! É como se só se sentissem bem a ser mais desgraçados que os outros todos…dá para perceber? Não, não dá! E o que também não há é paciência para os aturar!

Parece impossível… nós que em tempos que já lá vão fomos um povo de aventureiros, que fomos donos de metade de mundo, hoje em dia temos até receio de poder incomodar o vizinho do lado ao chamarmos-lhe a atenção para a música alta a altas horas da noite ou para os pelos e outras coisas afins que o cãozinho vai largando pelas escadas de acesso, aturamos o tipo que passa alegremente o almoço com o garfo numa mão e o cigarro na outra a encher de fumo os pulmões dos outros, calamo-nos perante o idiota que nos passa a correr à frente só para tirar primeiro o ticket na fila da peixaria… enfim, tornámo-nos uns tristes conformados.

O pior é que depois passamos a vida a descarregar nos outros a nossa frustração, descarrega-se nos filhos depois de um dia de trabalho, no marido ou na esposa quando o dia não correu bem, nos colegas de trabalho quando em casa o clima anda tenso, enfim…descarregamos na primeira pessoas que nos aparece, mesmo que a pobre criatura não faça ideia do que estamos a dizer.

Será que já ninguém dá valor às coisas simples e boas da vida? Como acordar de manhã, como um pôr-do-sol, como o desabrochar das flores na primavera, como o sorriso de uma criança? Será que perdemos a capacidade de escutar os outros? De nos alegrarmos com as boas novas dos outros? De nos congratularmos com a sua felicidade em lugar de sermos carpideiras da vida miserável que afinal não temos? De olharmos para os outros e de os vermos efectivamente? Será que perdemos a capacidade de ver além do nosso umbigo? Será que perdemos a capacidade de lutar pelos nossos sonhos? Será que perdemos a capacidade de avançar destemidamente pela vida?

Não sei…apenas sei que cada sinto mais dificuldade em me ajustar a esta nova sociedade, a este ritmo, a esta forma de vida…posso submeter-me, mas render-me nunca!

Sê luz...

Sê a luz que ilumina o caminho de alguém, sê a luz que altiva nos guia lá do alto, não sejas sombra nem mágoa para ninguém, não fujas nem...