domingo, março 02, 2008

O fado




Que o fado é canção triste
toda a vida se ouviu dizer,
é alma de povo que insiste
em cantar o seu sofrer.

Que o fado é canção da rua
não há quem possa negar,
é a voz que é minha tua
e que ninguém pode calar.

Que o fado é a alma do povo
disso não há como duvidar,
que o fado vive em nós

também não é nada de novo,
o fado do meu povo é cantar
o fado que lhe mora na voz!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A carta que nunca enviei



Leio e releio vezes sem conta a mesma carta,
aquela cujo papél já ganhou um tom amarelado
fruto do tempo que passa sem sequer se importar.
A tinta já perdeu aquela cor brilhante de prata,
aquela cor especial que procurei por todo o lado
e que era a única cor que eu queria usar.

Já sei de cor as palavras que aquela carta diz,
aquela carta onde sem medo abri o coração
e disse tudo o que há muito te queria dizer.
Aquela carta que, acreditava, me faria feliz,
aquela que escrevi sem medo nem obrigação,
aquela onde disse tudo o que havia para dizer.

Já não sei quantas vezes a li e depois reli,
e de cada vez que a leio apetece-me chorar
tal foi a dose de emoção que nela coloquei.
Lê-la é quase como estar juntinho de ti,
faz-me sentir a paixão que te ousei revelar
numa carta de amor que nunca te enviei...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Hoje fiz-lhe as malas...

Hoje fiz-lhe as malas e sem pensar
pus tudo o que lhe pertencia lá dentro,
esvaziei as gavetas e os armários,
rasguei as cartas e queimei os diários,
hoje decidi que estava na hora de acabar,
hoje decidi ser o meu próprio centro
e sem pensar sequer nos comentários
desfiz o rosário dos nossos fadários.

Hoje abri-lhe a porta de par em par
e pedi-lhe que saisse sem dizer nada,
disse-lhe que estava na hora de partir
e que hoje sem falta tinha mesmo de ir,
hoje disse-lhe que me cansára de esperar,
que me cansara de me sentir abandonada,
hoje disse-lhe que estava na hora de sair
e arranjar outro lugar para onde seguir.

Hoje fiz-lhe as malas e abri-lhe a porta,
hoje reabri para o mundo o meu coração,
hoje numa decisão que já não tem volta
expulsei de vez da minha vida a solidão!!

domingo, janeiro 20, 2008

Os teus braços

Os teus braços são uma colcha de lã
onde me aninho, me aqueço e me perco,
Onde com o raiar de cada nova manhã
O nosso amor amanhece mais desperto.

Os teus braços são um porto de abrigo
Onde me refugio das tempestades da vida,
Onde tudo pára e o tempo é esquecido,
Onde o nosso amor é embarcação querida.

Os teus braços são a minha força na dor,
São o repouso do meu medo e do cansaço,
São a ponte onde a ternura do nosso amor
Se expande no calor doce de um abraço.


HP/
Às vezes nem só as nossas experiências, as nossas vivências ou a nossa própria vida servem de inspiração para dar asas à vontade de escrever. Às vezes temos de olhar em volta, olhar para os outros, para as suas vidas, as suas experiências, os seus desabafos ou a sua falta deles. Às vezes temos de olhar além do que os olhos nos mostram, às vezes temos de viver a vida dos outros, colocarmo-nos no seu lugar e falar como se fossem as suas palavras.
Este poema é um desses casos… uma história que recolhi em meu redor e que me levou a escrever assim.


Dei-te... e arranquei-te!!!!

Dei-te o meu carinho, o meu amor, a minha atenção,
Dei-te o meu ombro e o conforto da minha mão…
E tu em troca cravaste-me um punhal no coração
E simplesmente deitaste no lixo a minha paixão.

Hoje com vontade e coragem sigo um outro caminho,
Hoje o meu coração está curado e não está sozinho,
Com força, com garra sigo em frente, mas com calma,
Aos poucos restaurei os danos que me deixaste na alma.

Hoje, a pouco e pouco esqueci a dor da humilhação,
Esqueci a raiva e o ódio que me trouxe a tua traição,
Esqueci que já foste o meu seguro e a minha perdição,
Hoje, como uma erva daninha, arranquei-te do coração.

Sê luz...

Sê a luz que ilumina o caminho de alguém, sê a luz que altiva nos guia lá do alto, não sejas sombra nem mágoa para ninguém, não fujas nem...