Nota prévia: Este poema foi escrito há alguns anos, numa altura em que era comum
ter-se correspondentes ou pen-friends, se preferirem. Nessa época era comum trocar cartas, daquelas tradicionais onde o cheiro do papel se misturava com as palavras que bailavam nas linhas de cada folha. Nessa época era uma emoção abrir a caixa do correio e encontrar lá a dita cartinha.
Hoje em dia... bom, escrever cartas caiu em desuso... infelizmente. Hoje em dia há os e-mails, os chats, os sms, os mms, o famoso messenger e não sei mais quantas formas de comunicação. São bons meios para comunicar, para nos deixar a um clique das pessoas que nunca vimos ou daquelas de quem apenas estamos fisicamente longe. Não tenho nada contra, antes pelo contrário, sou adepta dessas novas "modas". Mas em abono da verdade não há nada como uma carta à moda antiga... digam lá o que disserem nada se compara ao prazer de escrever uma carta, selá-la, colocá-la no correio e saber que esse gesto vai, nem que seja por um segundo, significar tanto para alguem...
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Nunca ouvi a tua voz e no entanto já trocámos mil palavras,
falámos de nós, falámos da vida, usámos palavras doces e amargas,
falámos de gostos e desgostos, sonhos, tristezas, alegrias e amizade,
falámos de coisas que não têm medida nem sequer idade.
Nunca vi o brilho do teu olhar e no entanto sei que ele existe,
sei que no teu olhar mora a imensidão do mundo que já viste,
sei que nele moram mil sonhos, emoções, mil e um devaneios,
sei que nele se reflectem as tuas incertezas e os teus receios.
Nunca ouvi o som do teu riso e no entanto sei que é puro,
sei que nele está presa a imensa voz de um imenso futuro,
sei que mesmo longe ele ilumina as pedras de algum caminho,
sei que ele é expressão de um coração que não mais será sozinho.
Nunca te vi e no entanto sinto que toda a vida te conheci,
renovei em ti a amizade que um dia tive e jamais esqueci,
renovei a esperança num mundo mais doce e mais amigo,
renovei o desejo de encontar quem caminhasse junto comigo.
Somos dois estranhos que se conhecem e se aceitam,
somos dois diferentes que se aceitam e respeitam,
somos a prova de que amizade não tem barreiras nem preconceitos,
somos a prova de que ser amigo é aceitar as virtudes e os defeitos.
Somos caminhantes na mesma estrada a que ambos chamamos vida,
somos exploradores no trilho de uma palvra quase perdida,
somos o realizar de um sonho à muito desejado e perseguido,
somos a prova que mais forte que Distância é a palavra Amigo!
Um sitio para falar de emoções, sensações, para deixar ideias...enfim um cantinho para as letras em todas as suas formas, em todas as suas dimensões... em todas as suas maravilhosas nuances.
sexta-feira, abril 04, 2008
domingo, março 02, 2008
O fado

Que o fado é canção triste
toda a vida se ouviu dizer,
é alma de povo que insiste
em cantar o seu sofrer.
Que o fado é canção da rua
não há quem possa negar,
é a voz que é minha tua
e que ninguém pode calar.
Que o fado é a alma do povo
disso não há como duvidar,
que o fado vive em nós
também não é nada de novo,
o fado do meu povo é cantar
o fado que lhe mora na voz!
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
A carta que nunca enviei

Leio e releio vezes sem conta a mesma carta,
aquela cujo papél já ganhou um tom amarelado
fruto do tempo que passa sem sequer se importar.
A tinta já perdeu aquela cor brilhante de prata,
aquela cor especial que procurei por todo o lado
e que era a única cor que eu queria usar.
Já sei de cor as palavras que aquela carta diz,
aquela carta onde sem medo abri o coração
e disse tudo o que há muito te queria dizer.
Aquela carta que, acreditava, me faria feliz,
aquela que escrevi sem medo nem obrigação,
aquela onde disse tudo o que havia para dizer.
Já não sei quantas vezes a li e depois reli,
e de cada vez que a leio apetece-me chorar
tal foi a dose de emoção que nela coloquei.
Lê-la é quase como estar juntinho de ti,
faz-me sentir a paixão que te ousei revelar
numa carta de amor que nunca te enviei...
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Hoje fiz-lhe as malas...
Hoje fiz-lhe as malas e sem pensar
pus tudo o que lhe pertencia lá dentro,
esvaziei as gavetas e os armários,
rasguei as cartas e queimei os diários,
hoje decidi que estava na hora de acabar,
hoje decidi ser o meu próprio centro
e sem pensar sequer nos comentários
desfiz o rosário dos nossos fadários.
Hoje abri-lhe a porta de par em par
e pedi-lhe que saisse sem dizer nada,
disse-lhe que estava na hora de partir
e que hoje sem falta tinha mesmo de ir,
hoje disse-lhe que me cansára de esperar,
que me cansara de me sentir abandonada,
hoje disse-lhe que estava na hora de sair
e arranjar outro lugar para onde seguir.
Hoje fiz-lhe as malas e abri-lhe a porta,
hoje reabri para o mundo o meu coração,
hoje numa decisão que já não tem volta
expulsei de vez da minha vida a solidão!!
pus tudo o que lhe pertencia lá dentro,
esvaziei as gavetas e os armários,
rasguei as cartas e queimei os diários,
hoje decidi que estava na hora de acabar,
hoje decidi ser o meu próprio centro
e sem pensar sequer nos comentários
desfiz o rosário dos nossos fadários.
Hoje abri-lhe a porta de par em par
e pedi-lhe que saisse sem dizer nada,
disse-lhe que estava na hora de partir
e que hoje sem falta tinha mesmo de ir,
hoje disse-lhe que me cansára de esperar,
que me cansara de me sentir abandonada,
hoje disse-lhe que estava na hora de sair
e arranjar outro lugar para onde seguir.
Hoje fiz-lhe as malas e abri-lhe a porta,
hoje reabri para o mundo o meu coração,
hoje numa decisão que já não tem volta
expulsei de vez da minha vida a solidão!!
domingo, janeiro 20, 2008
Os teus braços
Os teus braços são uma colcha de lã
onde me aninho, me aqueço e me perco,
Onde com o raiar de cada nova manhã
O nosso amor amanhece mais desperto.
Os teus braços são um porto de abrigo
Onde me refugio das tempestades da vida,
Onde tudo pára e o tempo é esquecido,
Onde o nosso amor é embarcação querida.
Os teus braços são a minha força na dor,
São o repouso do meu medo e do cansaço,
São a ponte onde a ternura do nosso amor
Se expande no calor doce de um abraço.
HP/
onde me aninho, me aqueço e me perco,
Onde com o raiar de cada nova manhã
O nosso amor amanhece mais desperto.
Os teus braços são um porto de abrigo
Onde me refugio das tempestades da vida,
Onde tudo pára e o tempo é esquecido,
Onde o nosso amor é embarcação querida.
Os teus braços são a minha força na dor,
São o repouso do meu medo e do cansaço,
São a ponte onde a ternura do nosso amor
Se expande no calor doce de um abraço.
HP/
Às vezes nem só as nossas experiências, as nossas vivências ou a nossa própria vida servem de inspiração para dar asas à vontade de escrever. Às vezes temos de olhar em volta, olhar para os outros, para as suas vidas, as suas experiências, os seus desabafos ou a sua falta deles. Às vezes temos de olhar além do que os olhos nos mostram, às vezes temos de viver a vida dos outros, colocarmo-nos no seu lugar e falar como se fossem as suas palavras.
Este poema é um desses casos… uma história que recolhi em meu redor e que me levou a escrever assim.
Dei-te... e arranquei-te!!!!
Dei-te o meu carinho, o meu amor, a minha atenção,
Dei-te o meu ombro e o conforto da minha mão…
E tu em troca cravaste-me um punhal no coração
E simplesmente deitaste no lixo a minha paixão.
Hoje com vontade e coragem sigo um outro caminho,
Hoje o meu coração está curado e não está sozinho,
Com força, com garra sigo em frente, mas com calma,
Aos poucos restaurei os danos que me deixaste na alma.
Hoje, a pouco e pouco esqueci a dor da humilhação,
Esqueci a raiva e o ódio que me trouxe a tua traição,
Esqueci que já foste o meu seguro e a minha perdição,
Hoje, como uma erva daninha, arranquei-te do coração.
Este poema é um desses casos… uma história que recolhi em meu redor e que me levou a escrever assim.
Dei-te... e arranquei-te!!!!
Dei-te o meu carinho, o meu amor, a minha atenção,
Dei-te o meu ombro e o conforto da minha mão…
E tu em troca cravaste-me um punhal no coração
E simplesmente deitaste no lixo a minha paixão.
Hoje com vontade e coragem sigo um outro caminho,
Hoje o meu coração está curado e não está sozinho,
Com força, com garra sigo em frente, mas com calma,
Aos poucos restaurei os danos que me deixaste na alma.
Hoje, a pouco e pouco esqueci a dor da humilhação,
Esqueci a raiva e o ódio que me trouxe a tua traição,
Esqueci que já foste o meu seguro e a minha perdição,
Hoje, como uma erva daninha, arranquei-te do coração.
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