quinta-feira, junho 05, 2008

Uma noites destas em que o sono teimava em não chegar, sentei-me no sofá com o comando da televisão na mão e fui fazendo o famoso "zapping", até que um programa me chamou a atenção... era sobre pessoas que se tinham conhecido na internet. Havia histórias felizes, histórias tristes, histórias de amizade, de amor...e até histórias de casamentos imagine-se! E foi desse programa que nasceu o poema que a seguir vos deixo.




Quase todas as noites espero por ti no mesmo local,
sentada na mesma cadeira, com a mesma luz acesa,
sempre com a mesma esperança de que tu apareças,
espero sempre uma conversa que não seja banal,
no meu pensamento há sempre dúvidas e incertezas
porque receio que tu simplesmente não apareças.

Quase todas as noites aguardo ansiosa o teu contacto,
sentada na penumbra, envolve-me um silêncio quieto
quebrado apenas pelo aviso da tua entrada em linha,
espero que me vejas aqui, neste momento exacto,
espero sempre uma palavra, um sinal em tom discreto
que mantenha acesa esta esperança que é só minha.

Quase todas noites anseio por esta conversa virtual,
sentada sobre o peso das minhas dúvidas e receios
que me fazem fugir e usar palavras cheias de indecisão,
espero sempre uma deixa para desvendar a verdade fatal,
espero sempre que de vez ponhamos de parte os nossos receios
e abramos um ao outro o que vai dentro do nosso coração.

Quase todas as noites me despeço de ti com um beijo
que cada dia que passa lamento mais não ser de verdade,
quase todas as noites tu me fazes esboçar um sorriso,
espero por ti sempre com a ternura deste meu desejo
que a cada dia que passa me lembra a simples realidade:
tu és o amor que eu quero e de cada vez mais eu preciso!

terça-feira, abril 29, 2008

À minha pequena aldeia ribatejana

(Besteiras - Uma pequena aldeia)


Fiz de uma pequena aldeia ribatejana
Tingida pelo verde intenso da serra
O chão donde minha alma emana,
O meu lar e a minha querida terra.

Fiz do verde intenso dos pinheiros
Refúgio dos meus encantos e ilusões,
Neles escrevi páginas de livros inteiros
Feitos de sonho, fantasia e recordações.

Fiz do chão onde nascem belas flores
E do ar sempre leve, fresco e puro
O maior de todos os meus amores,
As raízes do meu passado e futuro.

Fiz do cheiro da terra em noite de luar
O perfume dos lençóis da minha cama,
Fiz dele a melodia que paira no ar
Sempre que a saudade acende a sua chama.

Fiz de uma pequena aldeia ribatejana
A minha esperança, a luz do meu viver,
Fiz dela o chão donde minha alma emana
A raiz de amor que jamais posso esquecer.

Participação no II Concurso de Poesia em Rede subordinado ao tema "A minha terra" - 2008

segunda-feira, abril 21, 2008

Coração: Aluga-se!



Sei de um coração vazio para alugar,
um coração usado e em segunda mão
mas ainda com muita coisa para dar.
É um coração bonito e bem espaçoso
com vista sobre a rua da esperança
e com um interior doce e caloroso.
O anterior inquilino foi despejado
e desde então o coração está vazio,
sem ocupação, triste e abandonado.
Procura-se alguém para o arrendar,
alguém que cumpra com o acordado
e que a sua palavra saiba honrar.
Procura-se alguém para o habitar,
alguém que queira nele viver
por periodo de tempo a acordar.
Procura-se alguém que queira abrir
as portas, alguém que queira ficar,
alguém que nunca mais queira sair.
Procura-se alguém para o remodelar,
alguém para mudar a velha decoração
e dar a este coração um novo desejar.
Sei de um coração vazio para alugar,
um coração usado e em segunda mão
mas com muita vontade de voltar a amar...

sexta-feira, abril 04, 2008

Amigos de papel

Nota prévia: Este poema foi escrito há alguns anos, numa altura em que era comum
ter-se correspondentes ou pen-friends, se preferirem. Nessa época era comum trocar cartas, daquelas tradicionais onde o cheiro do papel se misturava com as palavras que bailavam nas linhas de cada folha. Nessa época era uma emoção abrir a caixa do correio e encontrar lá a dita cartinha.
Hoje em dia... bom, escrever cartas caiu em desuso... infelizmente. Hoje em dia há os e-mails, os chats, os sms, os mms, o famoso messenger e não sei mais quantas formas de comunicação. São bons meios para comunicar, para nos deixar a um clique das pessoas que nunca vimos ou daquelas de quem apenas estamos fisicamente longe. Não tenho nada contra, antes pelo contrário, sou adepta dessas novas "modas". Mas em abono da verdade não há nada como uma carta à moda antiga... digam lá o que disserem nada se compara ao prazer de escrever uma carta, selá-la, colocá-la no correio e saber que esse gesto vai, nem que seja por um segundo, significar tanto para alguem...
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Nunca ouvi a tua voz e no entanto já trocámos mil palavras,
falámos de nós, falámos da vida, usámos palavras doces e amargas,
falámos de gostos e desgostos, sonhos, tristezas, alegrias e amizade,
falámos de coisas que não têm medida nem sequer idade.
Nunca vi o brilho do teu olhar e no entanto sei que ele existe,
sei que no teu olhar mora a imensidão do mundo que já viste,
sei que nele moram mil sonhos, emoções, mil e um devaneios,
sei que nele se reflectem as tuas incertezas e os teus receios.
Nunca ouvi o som do teu riso e no entanto sei que é puro,
sei que nele está presa a imensa voz de um imenso futuro,
sei que mesmo longe ele ilumina as pedras de algum caminho,
sei que ele é expressão de um coração que não mais será sozinho.
Nunca te vi e no entanto sinto que toda a vida te conheci,
renovei em ti a amizade que um dia tive e jamais esqueci,
renovei a esperança num mundo mais doce e mais amigo,
renovei o desejo de encontar quem caminhasse junto comigo.
Somos dois estranhos que se conhecem e se aceitam,
somos dois diferentes que se aceitam e respeitam,
somos a prova de que amizade não tem barreiras nem preconceitos,
somos a prova de que ser amigo é aceitar as virtudes e os defeitos.
Somos caminhantes na mesma estrada a que ambos chamamos vida,
somos exploradores no trilho de uma palvra quase perdida,
somos o realizar de um sonho à muito desejado e perseguido,
somos a prova que mais forte que Distância é a palavra Amigo!

domingo, março 02, 2008

O fado




Que o fado é canção triste
toda a vida se ouviu dizer,
é alma de povo que insiste
em cantar o seu sofrer.

Que o fado é canção da rua
não há quem possa negar,
é a voz que é minha tua
e que ninguém pode calar.

Que o fado é a alma do povo
disso não há como duvidar,
que o fado vive em nós

também não é nada de novo,
o fado do meu povo é cantar
o fado que lhe mora na voz!

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A carta que nunca enviei



Leio e releio vezes sem conta a mesma carta,
aquela cujo papél já ganhou um tom amarelado
fruto do tempo que passa sem sequer se importar.
A tinta já perdeu aquela cor brilhante de prata,
aquela cor especial que procurei por todo o lado
e que era a única cor que eu queria usar.

Já sei de cor as palavras que aquela carta diz,
aquela carta onde sem medo abri o coração
e disse tudo o que há muito te queria dizer.
Aquela carta que, acreditava, me faria feliz,
aquela que escrevi sem medo nem obrigação,
aquela onde disse tudo o que havia para dizer.

Já não sei quantas vezes a li e depois reli,
e de cada vez que a leio apetece-me chorar
tal foi a dose de emoção que nela coloquei.
Lê-la é quase como estar juntinho de ti,
faz-me sentir a paixão que te ousei revelar
numa carta de amor que nunca te enviei...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Hoje fiz-lhe as malas...

Hoje fiz-lhe as malas e sem pensar
pus tudo o que lhe pertencia lá dentro,
esvaziei as gavetas e os armários,
rasguei as cartas e queimei os diários,
hoje decidi que estava na hora de acabar,
hoje decidi ser o meu próprio centro
e sem pensar sequer nos comentários
desfiz o rosário dos nossos fadários.

Hoje abri-lhe a porta de par em par
e pedi-lhe que saisse sem dizer nada,
disse-lhe que estava na hora de partir
e que hoje sem falta tinha mesmo de ir,
hoje disse-lhe que me cansára de esperar,
que me cansara de me sentir abandonada,
hoje disse-lhe que estava na hora de sair
e arranjar outro lugar para onde seguir.

Hoje fiz-lhe as malas e abri-lhe a porta,
hoje reabri para o mundo o meu coração,
hoje numa decisão que já não tem volta
expulsei de vez da minha vida a solidão!!

Sê luz...

Sê a luz que ilumina o caminho de alguém, sê a luz que altiva nos guia lá do alto, não sejas sombra nem mágoa para ninguém, não fujas nem...