domingo, julho 11, 2010

Em busca de outra sorte

Trago esta ansiedade cravada em mim como um punhal,
como uma poção mágica que me abafa e me faz mal,
como um fantasma que me assombra e inquieta,
como uma sonolência que não me deixa estar desperta.
Trago esta angústia presa a mim como uma maldição,
como uma força estranha que me vai minando o coração,
como uma dor que aos poucos me vai derrubando,
como ferro em brasa que por dentro me vai queimando.
Trago esta tristeza ancorada em mim como barco ao cais,
como um conjunto de negras e tenebrosas conjunturas astrais,
como um fardo que arrasto sem saber porque razão,
como uma alma imensa carente de carinho e compreensão.
Trago a alma triste, cansada, sem rumo nem direcção,
como uma folha que se sopra ao vento da palma da mão,
como uma bússola que já não encontra o norte,
como caminhante errante em busca de outra sorte.

quarta-feira, junho 30, 2010

Saramago num poema


Imagem retirada do Google - Site:static.publico.clix.pt

Nasceste num lugar diferente da Terra do Pecado,
estudaste num Manual de Caligrafia e Pintura,
Levantado do Chão onde a vida te quis prostrar
ficaste amarrado e preso ao Memorial do Convento,
No ano da Morte de Ricardo Reis iniciaste uma viagem
numa inigualável Jangada de Pedra de fino trato,
descobriste a História do Cerco de Lisboa e nunca
acreditaste em religião que não nesse desprezado
Evangelho Segundo Jesus Cristo que te feriu de morte
o orgulho de ser Português e te levou para outras paragens,
abriste os olhos dos homens num Ensaio Sobre a Cegueira
e sem nunca viveres numa Caverna foste um Homem Duplicado
que se multiplicou em muitos num largo campo de acção,
no Ensaio sobre a Lucidez deixaste antever o que seriam
As intermitências da Morte e numa Viagem de Elefante
abriste portas à discussão, à contradição, à revolta e ao espanto
ao dares a conhecer ao mundo esse teu Caim que seria sem saberes
o prenúncio de um fim… o teu fim…o fim do homem enquanto matéria
e o inicio do homem enquanto energia eterna e imortal
que leva A Bagagem do viajante Deste Mundo e do Outro,
e deixa neste mundo terreno saudade e As Pequenas Memórias.

segunda-feira, junho 21, 2010

Desfolho as letras do teu nome - 2º Lugar na Categoria de Soneto nos VI Jogos Florais do Concelho de Tondela

(Imagem retirada do Google)



Desfolho as letras do teu nome como malmequeres
amarelos colhidos num jardim à beira da estrada,
desfolho-as e penso no que dirás quando souberes
que me dizem que afinal por ti nunca fui amada.

Desfolho as letras do teu nome em quieta surdina
na escuridão da noite que me envolve os pensamentos,
desfolho-as e por momentos volto a ser a menina
que acreditava na pura inocência dos sentimentos.

Desfolho as letras do teu nome como uma ladainha
na esperança de que a repetição se torne realidade
e de que num passe de magia apareças junto de mim,

de que num gesto mudo ponhas a tua mão na minha
e de que por momentos o sonho possa ser verdade
e de que na escuridão da noite se faça luz por fim.

terça-feira, junho 08, 2010

Oh Concelho de Ferreira


Oh concelho de Ferreira cheio de beleza e encanto
Orgulhosamente vestido com o teu verdejante manto,
O Zêzere ledo e calmo se espraia em ti de lés a lés
E o Ribatejo rendido abraça a Beira a teus pés.

Nove são as freguesias que trazes no coração
Todas belas e airosas cheias de alma e tradição,
Cada uma com seu santo, sua lenda e sua história
Que se perde no tempo muito para alem da memória.

Pedro Ferreira te deu foral e D. João III te fez vila,
Pertenceste aos Templários e foste da Ordem de Cristo,
Keil compôs a Portuguesa na tua paisagem tranquila
E deu ao país um hino como nunca se havia visto.

D. Carlos foi caçador na vastidão dos teus montes,
Foste berço de mil nomes e outros tantos talentos,
Brotam em ti frescas águas que dão de beber às fontes
Onde se refrescam as almas e aclaram os pensamentos.

quarta-feira, maio 19, 2010

Vida? O que é a vida?

Vida? O que é a vida?

A vida começa com um choro furioso enquanto

o ar entra pela primeira vez nos nossos pulmões,

é olhar cada coisa com um ar de espanto

à medida que o tempo avança e nos ensina,

é cair, esfolar os joelhos e fazer arranhões,

é ver em cada gesto o esboço de uma sina,

a vida é saber que tudo é eterno enquanto dura

e que mais vale insistir do que nunca tentar,

é saber que até o diamante mais duro se fura,

é aprender com cada gesto, com cada pessoa,

é rir, é cantar, é sonhar e tantas vezes chorar,

é acreditar que a essência da vida é boa,

a vida é um pião que gira sem direcção,

é um rosto que se cruza no nosso caminho,

é por vezes tristeza, por vezes apenas solidão,

é saber que algures existe um ombro amigo,

é abrir os braços ao mundo e colher o amanhã,

é fechar os olhos e arriscar à beira do precipício

a vida é tudo e esse tudo é nada…

a vida é a única coisa que nos é dada,

a vida é a única coisa que é nossa até ao dia

em que a uma certeza maior diga:

- Vida…está na hora de fechar o ciclo e morrer.

terça-feira, maio 11, 2010

Apresentação do meu livro em Ferreira do Zêzere




Existem dias que nos marcam, ocasiões que perduram para além do tempo e memórias que ficarão para sempre gravadas nas páginas do livro da nossa vida. Sem qualquer sombra de dúvida o dia 08 de Maio foi um desses dias por razões que enunciarei mais à frente.
O dia amanheceu chuvoso o que não foi propriamente animador mas a esperança na realização de um sonho iluminou o dia. Foi com alegria que assisti à chegada de familiares, amigos e conhecidos que sem olhar à chuva saíram de sua casa, do conforto do seu lar simplesmente para estar presentes num dia tão importante para mim…a apresentação do meu 1º livro na terra a que orgulhosamente chamo minha… a todas essas pessoas o meu agradecimento sincero.
Não posso, em consciência, deixar de salientar o empenho, a dedicação, o apoio e o esforço de todos os que tornaram possível a realização desta iniciativa e sobretudo de todos quantos se empenharam na sua divulgação. Aqui deixo um agradecimento à Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere e à Biblioteca Municipal e de forma particular à Dra. Maria Emília Benedito na qualidade de Vereadora da Cultura e à Dra. Carla Mourão responsável pela Biblioteca Municipal não só por me terem honrado com a sua presença mas por todo o empenho e carinho com que receberam esta iniciativa.
Por vezes temos um bocadinho a mentalidade dos pequeninos e a síndrome do coitadinho, porque somos pequeninos, porque estamos no interior, porque não temos grandes apoios nem grandes meios mas a verdade é quando as coisas são feitas com empenho e sobretudo com coração tornam-se inesquecíveis, memoráveis e grandiosas na sua simplicidade autêntica… e isso faz de nós uns gigantes!
Este dia para além da importância óbvia inerente à ocasião revestiu-se de uma importância extra…porque entre os presentes estava uma amiga muito especial, que fez uma longa viagem para finalmente ao fim de mais de seis anos de amizade virtual feita de muitas cartas, de muitas mensagens e de muitos e-mails se tornar num abraço sentido, sincero e muito real…um grande beijinho à minha amiga Maria que finalmente se tornou real assim como o meu sonho. Contudo devo também um grande obrigado à minha colega e amiga Célia e à sua filha Ana que fizeram também elas um longo caminho para estarem presentes e para brindar os presentes com a sua forma sentida e única de interpretar as palavras que escrevo.
A todos os que tornaram possível a realização deste evento quer pelo seu empenho, quer pelo esforço, quer pela sua presença só tenho uma palavra a dizer: Obrigada!

Deixo-vos algumas fotos deste dia que sem dúvida será uma página memorável no livro da minha vida.

Dra. Maria Emília (na sua simpática introdução, eu e a minha amiga Célia)








Eu com as minhas amigas Maria (à direita) e Célia (à esquerda)


Dra. Carla e Célia


As flores lindas que a minha amiga Maria me ofereceu


As duas Marias (a minha Mãe e a minha Amiga)

Sê luz...

Sê a luz que ilumina o caminho de alguém, sê a luz que altiva nos guia lá do alto, não sejas sombra nem mágoa para ninguém, não fujas nem...