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Ensaio de conto/romance/ou coisa assim :) - Parte II continuação

(...)E heis que um sinal sonoro me informa que acabo de receber uma mensagem… mas quem será agora? Justamente agora que o pastel de nata me estava a saber tão bem. Abro a capa, carrego no botão… Indicação de nova mensagem, remetente Júlio… a sério? Humm… não estou nem aí… distraidamente carrego no apagar e nem me dou ao trabalho de ler. Escusam de estar aí com essa cara a julgar-me… se a alminha quisesse dizer-me alguma coisa de relevante tinha aproveitado a ocasião em lugar de ter aproveitado para se auto-elogiar. Não me apetece perder tempo com coisas que não levam a lado nenhum.
Mentalmente já estou a imaginar que em breve Margarida Sofia me vai ligar a questionar porque raio não respondi à mensagem do amigo… lá terei de lhe explicar que não me apetece perder tempo com pessoas sem interesse nem conteúdo. Mas isso, são outros quinhentos… neste momento o que me importa é terminar este belo lanche, aproveitar esta bela tarde e esquecer tudo o resto.
E lentamente levanto-me, faço serena…

Ensaio de conto/romance/ou coisa assim :) - Parte II

(...) Mas não sabes e não te condeno por isso, na verdade nunca te expliquei, nunca falámos sobre isso… Agora que penso nisso somos amigas há tantos anos e nunca falámos sobre tanta coisa. Ainda assim achas que me conheces melhor do que eu mesma, continuas a achar que a minha vida é um mar de rosas porque nalgum ponto da minha vida, talvez de forma inconsciente optei por seguir um rumo diferente do que era esperado de mim: estudar, trabalhar, casar, ser uma esposa prendada e submissa, ter filhos e ser uma mãe maravilhosa. Dizes vezes sem conta que invejas a minha liberdade mas dizes outras tantas vezes que não serias capaz de viver assim… o que raio é viver assim? Até parece que sou uma freira em regime de clausura ou um eremita escondido do mundo na sua caverna.
Ai Guida! Pará de me tentar arranjar uma companhia, pára de me tentar impingir os teus amigos, os amigos dos teus amigos e afins, pára de me tentar impingir como se fosse uma mercadoria danificada ou um artigo descontinuado que…

Ensaio de conto/romance/ou coisa assim :) - Parte I

Levantei-me discretamente, ajeitei a saia, fechei calmamente os botões do casaco, cheguei a cadeira para junto da mesa, peguei na bolsa, passei as mãos pelo cabelo, deitei-lhe um último olhar, esbocei um sorriso cordial e disse serenamente:

- Obrigada pelo café. Adeus e até nunca mais.

Sai para a rua... fechei os olhos... senti o vento na cara... sorri...e segui serenamente pela alameda rodeada de árvores frondosas. Levava na cara um sorriso e na cabeça um tumulto de pensamentos e sensações que oscilavam entre o engraçado, o orgulho e o incrédulo. Noutros tempos viria de consciência pesada por ter tido a lata de deixar a criatura especada na esplanada... mas hoje não, hoje sentia-me bem, poderosa e senhora de mim... queria lá saber do politicamente correcto e do socialmente bem visto.

O toque do telemóvel interrompeu-me os pensamentos... sentei-me num dos bancos do jardim, inspirei, retirei o telemóvel da bolsa...Margarida... ui, agora é que as coisas iam ficar divertidas, pensei, en…
- As mulheres são complicadas! - reclamam os homens com frequência. - Os homens são todos iguais! - reclamam as mulheres com igual frequência. Afinal em que ficamos? Será possível que ambas as partes estejam certas? Parece-me uma teoria viável.
Homens: as mulheres não são complicadas! São tão simples como café com leite... vocês é que nos complicam a vida com a mania de nos quererem transformar naquilo que vocês querem. Se parassem um bocadinho para nos ouvir seria mais fácil, percebiam que basta uma palavra, um gesto, um silêncio até, para nos agradar...ah... e se parassem com essa mania de fazer olhinhos a tudo o que mexe e de tecer comentários a todos os rabos de saia que passam talvez tivessem mais tempo para apreciar o tesouro que vos caiu nas mãos! Ah... e ninguém aguenta ser comparada com a A a B ou a C... muito menos com a santa mãezinha... afinal querem uma companheira ou uma nova mãe? E custava esforçarem-se um bocadinho para descobrir de que livros gostamos, que comida apreciam…

Chega um altura

Chega um altura em que deixamos simplesmente de nos chatear com quem vai e com quem fica.
Chega uma altura em que concluímos que para correr atrás só se for de alguma coisa que nos faça perder peso e ganhar sorrisos.
Chega uma altura em que percebemos que o importante mesmo somos nós... o resto que se lixe!
Chega uma altura em que aprendemos que a primeira pessoa a quem temos de agradar e de quem temos de gostar é de nós mesmos.
Chega uma altura em que deixamos de querer saber o que os outros pensam, queremos viver e ser felizes.
Chega uma altura em que queremos fazer o que nos apetece, quando nos apetece e com quem nos apetece.
Chega uma altura em que vemos as coisas de uma outra dimensão, sem a ânsia de outras juventudes.
Chega uma altura em que olhamos para o espelho e pensamos: uau sou mesmo um arraso! Não concordam? Temos pena. Temos de viver com os nossos olhos e não com os dos outros.
Chega uma altura em que aprendemos a valorizar-nos, a gostar de nós, a acreditar em nós e sobretudo a …
Por vezes as pessoas surpreendem-se connosco... descobrem em nós facetas que não conheciam e ficam espantadas.
Nem toda a gente esbanja sorrisos, charme, à vontade, nem toda a gente é numa primeira análise expontanea, divertida, capaz de cometer loucuras, capaz de rir e fazer rir.
Nem toda a gente é aquilo que parece... aliás penso que quase ninguém o é.
Nem toda a gente mostra o seu eu a toda a gente, nem toda a gente se dá a conhecer, nem toda a gente se revela só porque sim.
Nem todos somos boa disposição constante e nem todos andamos sempre na boa.
Na verdade muitos de nós carregam dentro de si outros "eu", outras facetas, ouras personalidades que apenas se desvendam ao sabor da oportunidade.
Na verdade com o tempo, acabamos por dar a conhecer esses outros "eu" aos outros e permitimos que eles entrem no nosso espaço interior, que eles nos vejam como somos, que eles nos conheçam.
Na verdade este tipo de coisa leva tempo, para uns mais, para outros menos e na verdade só…

Dia Internacional do Obrigado!

Dia Internacional do obrigado... infelizmente uma palavra que tende a cair em desuso, talvez porque a nossa sociedade cada vez mais esteja a mudar de valores e ache que tudo lhe é devido e que nada tem a agradecer. Talvez porque esta sociedade do consumismo, do descartável, do eu quero e quero agora não tenha por vezes noção de que as coisas não caiem do céu, de que há por detrás de cada coisas alguém que a tornou possível. Obrigado! É uma palavra bonita, daquelas que têm o poder de abrir um sorriso. Daquelas que aquecem o coração. Daquelas que podem por um segundo fazer alguém sentir que o seu trabalho é reconhecido, que podem por um segundo alegrar um dia cinzento e que sem nos darmos conta aquece um coração. Nos dias que correm esta palavra ouve-se cada vez menos, por vezes parece que nos envergonhamos de a dizer, quase como se não tivéssemos nada porque estar agradecidos e a vida não estivesse a fazer mais do que aquilo que lhe compete. Como se tivéssemos direito a tudo e não tivés…