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A greve dos estivadores e o direito à indignação

Perdoem-me o desabafo mas tem de ser… há coisas que, como dizem os antigos me revoltam os fígados.

Desde o dia 20 de Abril que está em curso uma greve da mão-de-obra portuária no Porto de Lisboa, tendo nesta data o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes marítimos do Centro e Sul de Portugal ordenado a paragem de todo o trabalho portuário em Lisboa.

Desde a mesma data estão paralisados neste porto um sem número de contentores, muitos deles já com o processo de desalfandegamento concluído e inclusive com o IVA pago à cabeça, que não têm ordem para ser libertados.

Não obstante todos os danos causados até então, no dia 28 de Abril o referido Sindicato avançou com novo pré-aviso de greve até dia 27 de Maio, tendo no mesmo dia sido emitido um comunicado por parte do Ministério do Mar a dar conta que as negociações tinham fracassado em dois pontos mas que os serviços mínimos estavam garantidos.

Nestes serviços mínimos incluem-se a movimentação de cargas destinadas às R…

Um dia acordas

Um dia acordas...
Um dia, sem saber bem como, acordas do coma existencial em que tens vivido e percebes que afinal a vida é feita de muitas cores, de muitas curvas e contracurvas, de muitos erros e acertos, de muitas coisas boas e de muitas coisas más. Mas, mais importante que isso, acordas e percebes que a culpa das coisas menos boas não é tua e de repente deixas de te sentir culpado pelas acções dos outros e de carregar o peso do mundo nos ombros.
Um dia percebes que és mais do que aquilo a que te quiseram reduzir, que vales mais do que aquilo que as pessoas estavam dispostas a dar por ti, que consegues mais do que aquilo que as pessoas te incentivaram a tentar, que és livre, que podes ser quem quiseres, quando quiseres e fazer o que quiseres.
Um dia percebes que as coisas não dão errado por tua culpa, que as pessoas não se afastam por tua causa, que os erros não acontecem por tu os provocares.
Um dia percebes que a base da existência é o respeito e a confiança, percebes que não va…

Coisas que fazem pensar

Às vezes ouvimos coisas que nos deixam a pensar... que nos fazem ponderar... que nos fazem viajar, por vezes, dentro de nós mesmos em busca do seu significado, da sua lógica, da forma como se aplicam a nós.

Acontece com frequência sermos confrontados com palavras que nos fazem pensar, que nos fazem analisar a nossa existência e por vezes até ver o mundo que nos rodeia com outros olhos como se tivéssemos sido levados a outra dimensão da nossa existência.

Este fim de semana tive uma dessas experiências... uma frase que me deixou a pensar e que ainda não me saiu da cabeça. Uma frase que numa primeira reacção me fez rir... mas que com o passar das horas me fez pensar... e pensar... e pensar.

E com o passar do tempo percebo que afinal, apesar da reacção imediata de impossibilidade absoluta, essa frase simples e singela tem a força de uma verdade que muitas vezes ignoramos, por medo, por cobardia ou simplesmente porque nos habituámos a acreditar que não somos bons o suficiente, inteligentes…

O valor da vida

Pergunto-me como se mede o valor da vida? Como sabemos o que vale a vida de uns e a vida de outros? Existe de facto um valor que se pode atribuir a uma vida? 
À luz dos acontecimentos dos últimos dias, parece-me que o valor da vida, infelizmente, também se mede em função da politica, da geografia, do poderia bélico e económico.
Pelos vistos a vida de uma criança no Paquistão vale consideravelmente menos do que a vida de um cidadão europeu...triste constatação esta.
Um atentado num aeroporto europeu (Bélgica) mata, infelizmente, 35 pessoas: fazem-se vigilas, marchas, protestos, mudam-se cores de perfis na redes sociais, iluminam-se monumentos com as cores do país um pouco por todo o mundo, bandeiras a meia haste por todo o mundo, fala-se nas noticias até à exaustão do mesmo assunto até quando já não há grandes novidades, monta-se uma monumental caça ao homem, prendem-se suspeitos, elevam-se níveis de segurança, fazem-se minutos de silêncio em jogos de futebol... entre muitas outras manife…

Desabafo globalização

“ A globalização é um dos processos de aprofundamento internacional integração econômica, social, culturale política “ é esta a definição de globalização...infelizmente globalizou-se também a violência, a corrupção, o medo, o terrorismo, a falta de valores, a falta de amor pela vida, pelo mundo, pelo próximo e sobretudo por si mesmo.
Globalizou-se a cobardia, o medo, a indiferença...globalizou-se tudo menos a segurança, o bem estar dos cidadãos, a identidade dos países e o respeito pelo próximo, pela cultura, pelos hábitos...já dizia o velhinho ditado “Em Roma sê romano”.
Os supostos governantes, os supostos serviços secretos, os supostos analistas, os supostos defensores das nossas pátrias e das nossas vidas parecem mais preocupados em proteger os seus lugares, os seus cargos e as suas vidas luxuosas e vazias do que em agir em tempo útil e proteger o bem maior: a vida!
Infelizmente abrimos...ou melhor escancarámos as portas do Mundo para que entrassem milhares e milhares de pessoas que …

Andando na noite

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A chuva furiosa e violenta deixou de cair, no chão apenas vestígios da sua passagem, vou andando sem saber bem para onde ir, vou andando nas asas frias desta leve aragem. O nevoeiro, serenamente, vai-se instalando, as luzes tornam-se ténues, quase imperceptíveis, poucas são as pessoas que se vão aventurando a percorrer estas ruas de pensamentos invisíveis. A noite estendeu o seu manto negro e gelado, no caminho apenas vislumbres de uma direcção, caminho sem saber se vou para algum lado, caminho sem rumo, sem sombra de orientação. O vento que passa varrendo as folhas do chão sacode-me os cabelos e beija-me o rosto, caminho alheia ao frio, ao tempo, à sensação de que os elementos manifestam o seu desgosto. Deixo-me envolver por esta noite fria e alada, esvazio a cabeça e liberto os pensamentos, e por momentos é o vazio... e nada, mais nada, nem medos, nem tristezas, nem desalentos...
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És o meu poema inacabado, O meu verso ainda por rimar, És o meu perdido e o meu achado, És a onda na acalmia do meu mar, És as palavras que tenho por dizer, És os abraços que tenho para dar, És os carinhos que tenho por fazer, És os sonhos que tenho para sonhar… És o meu poema inacabado, A minha rima ainda por construir, És o gesto que quero ter ao meu lado, És a ponte que eu não quero destruir, És a luz que quero para me guiar, És a estrela no meio da escuridão, És o desejo que quero viver e sonhar, És o querer na palma da minha mão… És o meu poema inacabado, A minha epopeia ainda por escrever, És o sonho que sonho mesmo acordado, És o desejo que dá cor ao meu viver, És o verso que quero tornar em refrão, És a rima que quero fazer em melodia, És a chama que me incendeia o coração,
És essa força maior, chamada Poesia!