quarta-feira, janeiro 26, 2011

Lá fora...

Lá fora a chuva cai insistente e constante
Com a fluidez de quem está habituado
A desprender-se do céu e a deixar-se cair
Sobre a terra que lhe abre os braços sequiosa…
Lá fora o vento sopra forte e poderoso
Com o assobio de quem dobra as esquinas
E verga os ramos das mais frondosas árvores
Como se de delicadas flores se tratasse…
Lá fora o céu vestiu-se em tons de cinzento
Com a tristeza de quem aguarda o brilho do sol
Na certeza de que as noites serão mais belas
E os dias serão mais longos e mais alegres…
Lá fora a rua vestiu-se de um vazio silencioso
Entrecortado pelo barulho dos carros que
Ocasionalmente passam compensando
A falta de gente que se refugiou em casa…
Lá fora o frio enche o Inverno do seu rigor
Que afasta da rua o bulício habitual
E que convida ao conforto de uma lareira
Debruçada sobre as páginas de um livro…
Lá fora está o mundo que olho através do vidro
Molhado que transformou a minha janela
Num pedaço de vidro gelado onde o calor
Que exalo se torna tela onde rabisco desenhos…

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Antes de mais quero desejar a todos um bom ano de 2011, que ele vos traga saúde, alegria, sucesso, paz e esperança.

No seguimento de um post que coloquei aqui há algum tempo venho uma vez mais ao vosso encontro solicitar o vosso apoio.

Como é do vosso conhecimento no dia 07/12/2010 um tornado atingiu alguns concelhos do interior, nomeadamente Tomar, Sertã, Belmonte e Ferreira do Zêzere. É dificl ficar indiferente à destruição que este fenómeno causou sobretudo quando olhamos a terra que nos viu crescer e chamamos nossa e quase não a reconhecemos.

Com base nestes factos dei inicio a uma campanha de solidariedade a fim de angariar fundos para a reconstrução dos concelhos afectados, em particular o de Ferreira do Zêzere. Uma amiga destas andanças literárias, Fly de seu "nome" deu-me a sugestão de organizar uma feira do livro e prontamente, de forma altruista e generosa se ofereceu a contribuir para a sua realização. A sugestão pareceu-me boa e após aprovação da Câmara Municipal o evento vai realizar-se no período de 11 a 23 de Abril de 2011.

Assim apelo à vossa solidariedade no sentido de oferecerem pelo menos um livro (novo ou usado desde que em bom estado) para a feira sendo que todo o dinheiro vai reverter para a reconstrução do concelho onde se calcula que os estragos ascendam ao 2,5 milhões de euros.

A todos os que quiserem contribuir para esta iniciativa agradeço desde já a colaboração. Os livros podem ser encaminhados para a seguinte morada:

Biblioteca Municipal de Ferreira do Zêzere
Feira do Livro Solidária
Rua João Da Costa
2240-356 Ferreira do Zêzere

Obrigada a todos e votos de um ano de 2011 solidário e generoso.

domingo, dezembro 19, 2010

Em breve... novidades

É com imensa alegria que reparto convosco a notícia de que o repto que lancei aqui a fim de angariar fundos para apoiar as vitimas do tornado que no dia 07/12/2010 afectou algumas povoações dos distritos de Santarém e Castelo Branco já está a dar frutos.
Graças à generosidade de alguns amigos que prontamente acolheram o repto já há frutos que esperamos se multipliquem...
Também graças a uma amiga deste mundo virtual, em que comunicamos e onde saboreamos as letras uns dos outros, que ofereceu para além do seu contributo uma excelente ideia, está a ganhar forma uma iniciativa que vos darei a conhecer logo que estejam alinhavados todos os pormenores. Fly... de coração obrigada pela tua ajuda, pelas tuas palavras, pelo teu apoio e pela tua ideia genial... hem que sorte, já viste, és a única que sabe do que falo :)

Em breve voltarei a este tema para vos apresentar esta nova fase da iniciativa que ganhou forma aos poucos e que vai crescendo graças à generosidade de todos.

Obrigada a todos os que manifestaram a sua opinião, o seu apoio e a sua generosidade!

A todos OBRIGADA!!!

terça-feira, dezembro 14, 2010

"Um livro pela reconstrução"

Imagem retirada da Internet



Numa hora como esta em que olhamos em volta e pouco se vê para além da destruição, da mágoa, da tristeza e da angústia de quem vê o telhado de uma vida literalmente arrancado de cima da sua cabeça a única sensação que me ocorre é incredulidade e impotência.
Sentimo-nos impotentes face a uma força que chegou sem avisar e que à sua passagem devorou literalmente tudo o que encontrou como se de um monstro faminto se tratasse.
Sentimo-nos impotentes face a um cenário de ferro retorcido, chapa amolgada como se de uma simples folha de papel amarrotada e atirada ao lixo se tratasse, telhas partidas, estruturas destruídas e vidros estilhaçados onde se reflectem os rostos cansados e ainda atónitos de quem vê parte da sua vida reduzida a estilhaços.
Sentimo-nos impotentes face às árvores arrancadas pela raiz como se fossem simples e frágeis ervas daninhas.
Sentimo-nos impotentes face à catadupa de emoções que nos passam pela cabeça e que não sabemos explicar.
Sentimo-nos impotentes e divididos entre a alegria das vidas que não se perderam e a tristeza das que nunca mais serão as mesmas.
Sentimo-nos impotentes face ao que não podemos e não sabemos explicar e sentimo-nos impotentes face à percepção de que apenas nos resta aceitar.
Sentimo-nos impotentes, pequeninos, frágeis, inseguros mas sabemos que é preciso renascer do caos como a Fénix renasceu das cinzas, sabemos que dependemos de nós próprios e da boa vontade dos que connosco partilham o mesmo espaço e fazem parte desta comunidade a que chamamos casa.
Sentimo-nos tristes, desamparados, sentimos vontade de baixar os braços mas sabemos que não podemos, sabemos que é preciso recuperar o que o vento levou e sarar as feridas que não se vêem.
Eu pessoalmente sinto-me triste, olho a terra a que chamo minha e não a reconheço, vejo a tristeza e o desalento no rosto de pessoas que toda a vida conheci, vejo a mágoa, a tristeza, a decepção e o desencantamento… mas vejo também o esforço e a vontade de virar esta página… sinto vontade de ajudar… quero ajudar… preciso ajudar… e o meu contributo será o valor das vendas dos meus livros até ao Natal (para começar).
Mas ao ter esta ideia surgiu-me uma outra: a de lançar um desafio a todos e em particular aos amigos das letras com quem me fui cruzando ao longo do tempo e com quem tenho caminhado ao longo dos anos: que cada um dos autores com livros publicados doe entre 50 a 100% do valor de um dos seus livros para apoiar a reconstrução daquilo que o tornado deitou por terra e achei que poderíamos chamar a esta iniciativa “Um livro pela reconstrução”.
Neste momento disponho apenas da informação referente aos donativos destinados aos concelhos de Ferreira do Zêzere e Tomar se alguém tiver informação referente aos outros concelhos afectados poderá partilhá-la.

Municipio de Ferreira Zezere - Tornado 07/12/2010
Banco: Santander Totta
NIB: 0018 0003 24243099020 84
IBAN: PT50 0018 0003 24243099020 84

A Cruz Vermelha Portuguesa criou uma conta para apoio às vítimas do concelho de Tomar - Caixa Geral de Depósitos com o seguinte NIB: 0035 0813 000 568 302 305 8

Sei que esta iniciativa é uma gota de água no oceano, mas sei também que juntos podemos fazer a diferença. Agradeço desde já a colaboração de todos os que se juntarem a esta causa comum: ajudar aqueles que sofreram na pele as consequências do tornado que ocorreu no dia 07/12/2010.

domingo, novembro 21, 2010

Nas franjas de um xaile negro

Imagem retirada da Internet com recurso ao Google


Nas franjas de um xaile negro
tecem-se histórias de saudade,
escondem-se pedaços de história
que não têm tempo nem idade.

Na voz de um fadista sente-se
a imensidão que o mundo tem,
ouve-se a voz de um coração
que é fiel a si e a mais ninguém.

No acorde de uma guitarra
tantas histórias por nascer,
tantos sonhos que esperamos
ainda poder ver a acontecer.

Nas cordas da guitarra nasce
uma canção em forma de trinado,
na alma lusa há-de sempre haver
a triste alegria de um fado!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Raios de Sol


Risos alegres animam o amanhecer,

Alegria e sorrisos para dar e vender,

Indo para a escola de carro ou a pé

Os nossos meninos armam sempre banzé,

Sozinhos ou em bando como pardais


Descem à rua como os outros demais

E num rasgo de inocência isenta de vaidade


Sobrepoe-se a tudo o valor de uma amizade,

Os meninos são flores sempre a crescer,

Luzes brilhantes de engenho e saber.

Os anos de amizade...servem de desculpa??

Pode a amizade servir como desculpa para destratar ou ofender alguém? Pode a amizade servir como desculpa para maltratar ou espezinhar uma ...