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Ás vezes


Ás vezes sinto saudades daquele tempo
em que a vida corria leve sem sobressalto,
do tempo em que riamos e cantávamos alto
aproveitando cada segundo de cada momento.
Ás vezes sinto saudades das conversas banais
em que trocávamos segredos cheios de emoção,
do tempo em que abríamos sem receio o coração
sempre cheio de sonhos e de loucos ideais.
Ás vezes sinto saudades daquela altura
em que não sabia nem entendia nada da vida,
do tempo em que não me sentia tão perdida
e onde não havia lugar para qualquer amargura.
Ás vezes sinto saudades do tempo que já passou
e que na pressa mudou tudo sem sequer avisar,
do tempo que hoje me limito a recordar
e cuja serena tranquilidade nunca mais voltou.
Ás vezes sinto saudades daquele tempo
em que éramos felizes na pura ignorância,
do tempo em que todos os dias eram infância
e em que o mundo se movia com outro alento.
Ás vezes sinto saudades do tempo lá de trás
em que tudo parecia ser tão mais fácil de entender,
do tempo em que ainda não sabia que as coisas más
é que nos fazem crescer e nos ensinam a viver...

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Tojos, arbustos, carqueijas, giestas, mato, rosmaninho, arruda e ervas benfazejas,  aves que fazem ninho, rochas ingremes e salientes,  águas frias e correntes, aldeias aninhadas no sopé, montes a perder de vista,  ermidas erguidas na fé, terra que o coração conquista, serenidade que embala e acalma, verde manto que o olhar prende, paraíso que nos acalenta a alma, chão que nos embala e entende!

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