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Saramago num poema


Imagem retirada do Google - Site:static.publico.clix.pt

Nasceste num lugar diferente da Terra do Pecado,
estudaste num Manual de Caligrafia e Pintura,
Levantado do Chão onde a vida te quis prostrar
ficaste amarrado e preso ao Memorial do Convento,
No ano da Morte de Ricardo Reis iniciaste uma viagem
numa inigualável Jangada de Pedra de fino trato,
descobriste a História do Cerco de Lisboa e nunca
acreditaste em religião que não nesse desprezado
Evangelho Segundo Jesus Cristo que te feriu de morte
o orgulho de ser Português e te levou para outras paragens,
abriste os olhos dos homens num Ensaio Sobre a Cegueira
e sem nunca viveres numa Caverna foste um Homem Duplicado
que se multiplicou em muitos num largo campo de acção,
no Ensaio sobre a Lucidez deixaste antever o que seriam
As intermitências da Morte e numa Viagem de Elefante
abriste portas à discussão, à contradição, à revolta e ao espanto
ao dares a conhecer ao mundo esse teu Caim que seria sem saberes
o prenúncio de um fim… o teu fim…o fim do homem enquanto matéria
e o inicio do homem enquanto energia eterna e imortal
que leva A Bagagem do viajante Deste Mundo e do Outro,
e deixa neste mundo terreno saudade e As Pequenas Memórias.

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É dificil

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Chão

Tojos, arbustos, carqueijas, giestas, mato, rosmaninho, arruda e ervas benfazejas,  aves que fazem ninho, rochas ingremes e salientes,  águas frias e correntes, aldeias aninhadas no sopé, montes a perder de vista,  ermidas erguidas na fé, terra que o coração conquista, serenidade que embala e acalma, verde manto que o olhar prende, paraíso que nos acalenta a alma, chão que nos embala e entende!

Não posso...

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