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Mensagens

Nas franjas de um xaile negro

Imagem retirada da Internet com recurso ao Google Nas franjas de um xaile negro tecem-se histórias de saudade, escondem-se pedaços de história que não têm tempo nem idade. Na voz de um fadista sente-se a imensidão que o mundo tem, ouve-se a voz de um coração que é fiel a si e a mais ninguém. No acorde de uma guitarra tantas histórias por nascer, tantos sonhos que esperamos ainda poder ver a acontecer. Nas cordas da guitarra nasce uma canção em forma de trinado, na alma lusa há-de sempre haver a triste alegria de um fado!

Raios de Sol

Risos alegres animam o amanhecer, Alegria e sorrisos para dar e vender, Indo para a escola de carro ou a pé Os nossos meninos armam sempre banzé, Sozinhos ou em bando como pardais Descem à rua como os outros demais E num rasgo de inocência isenta de vaidade Sobrepoe-se a tudo o valor de uma amizade, Os meninos são flores sempre a crescer, Luzes brilhantes de engenho e saber.

Folhas de Outono

Ficam caídas no chão envoltas no seu manto Ornado de dourado e tecido com fios de natureza, Lindas na sua inerte mas tão bela singeleza, Hão-de ficar assim caídas, ignoradas, esquecidas Antes que o vento as sopre e as revolva pelo ar Sem destino, sem rumo, sem direcção para lhe dar. Dantes orgulhosamente verdes, frescas e reluzentes Envolviam os entrelaçados ramos de vida e de beleza, Outrora vivas hoje abandonam-se e deixam-se cair Uma após outra, após outra como que num bailado, Trocando o abraço das ramos pela frieza do chão, Ondas de castanho com laivos amarelos e vermelhos Num tapete colorido, único, fascinante e sazonal, Outono que chega na sua beleza única e especial.

Hoje deu-me para pensar...

Hoje deu-me para pensar... não sei porquê nem sequer sei se há de facto uma razão. Pus-me a pensar em como as coisas mudaram nestas últimas décadas... e pus-me a pensar se a mudança foi boa ou nem por isso. Eu ainda sou do tempo, como dizia a avozinha num conhecido anúncio televisivo em que as crianças iam a pé para a escola quer chovesse quer fizesse sol; nos recreios jogávamos ao lencinho, às escondidas, à cabra-cega, à apanhada, ao pião, às caricas... não perdíamos o tempo a enviar sms, mms e afins e a deixar os pais loucos com o dinheiro que se gasta nessas conversas tecladas; nas aulas levantávamo-nos quando o professor entrava, chamavamos-lhe Sr. professor e arriscávamos levar com a cana ou com a régua se faltássemos ao respeito ou se fossemos mais atrevidotes para não falar nas célebres orelhas de burro quando a coisa descambava mesmo... hoje os alunos batem nos professores, os pais batem nos professores e o respeito perdeu-se completamente, castiga-se o professor por ser duro e...

Um abraço

(Imagem retirada da Internet) Tanto que um simples abraço pode dizer, tanta emoção que nele se pode esconder, tanto sentimento que nele se pode achar, tanta coisa que se diz sem sequer falar. Um abraço que ameniza a pontade de dor deixada pela seta fatal de um não amor, acalma o receio de um coração hesitante minado pela dúvida e incerteza constante. Um abraço alegra quem com ternura o recebe e torna o passar dos dias mais doce e leve, afasta a tristeza que por vezes ensombra a vida e torna o momento numa recordação querida. Um abraço pode deixar tantas saudades de passados que foram na vida amizades, pode contudo abrir novos rumos e caminhos aos corações que não mais serão sozinhos. Um abraço são palavras que se dizem sem dizer, um abraço são mil emoções incapazes de se conter, um abraço é uma estrada, um abrigo, uma ponte, um abraço é um ontem, um hoje, um horizonte...

Participação Antologia Internacional "Poesia Pura e Simples"

Sou Como Sou como um peixe nadando no mar poluído sem conseguir ver ou respirar em condições, nadando em círculos, sentindo-se tonto e perdido no meio do remoínho das mais vastas situações. Sou como uma ave voando no céu escuro e nublado sem conseguir perceber qual o rumo certo a tomar, voando em círculos sem chegar a nenhum lado onde possa as extenuadas asas enfim repousar. Sou como uma folha arrancada pela ventania sem conseguir parar de andar aos tropeções, de um lado para o outro sem sonho ou alegria onde possa ancorar as suas crescentes ambições. Sou como uma labareda que a água extinguiu sem saber sequer porque se deixou assim apagar, fumegando a saudade do que um dia existiu na força de um fogo que apenas sonha recomeçar.

Em busca de outra sorte

Trago esta ansiedade cravada em mim como um punhal, como uma poção mágica que me abafa e me faz mal, como um fantasma que me assombra e inquieta, como uma sonolência que não me deixa estar desperta. Trago esta angústia presa a mim como uma maldição, como uma força estranha que me vai minando o coração, como uma dor que aos poucos me vai derrubando, como ferro em brasa que por dentro me vai queimando. Trago esta tristeza ancorada em mim como barco ao cais, como um conjunto de negras e tenebrosas conjunturas astrais, como um fardo que arrasto sem saber porque razão, como uma alma imensa carente de carinho e compreensão. Trago a alma triste, cansada, sem rumo nem direcção, como uma folha que se sopra ao vento da palma da mão, como uma bússola que já não encontra o norte, como caminhante errante em busca de outra sorte.