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segunda-feira, novembro 13, 2017

Um passado distante... (excerto)

"(...)E assim preferiu reduzir-se ao silêncio… e por vezes essa memória atormentava-lhe o pensamento e punha-lhe a alma em rebuliço… por vezes odiava simplesmente o facto de ela ter desaparecido sem deixar rasto… odiava não ter conseguido matar a réstia de esperança que acalentou durante anos… odiava que um amor assim tivesse terminado ainda antes de começar…odiava ter sido fraco, ter sido cobarde, não ter sido capaz de arriscar.


Não raramente pensava nela… e pensava no que podia ter sido a história dos dois se ele tivesse ao menos tido coragem… se ele tivesse tido a coragem de ousar viver aquele amor sem ser em sonhos…"



terça-feira, novembro 07, 2017

Todas as pessoas...

Todas as pessoas que entram na nossa vida fazem-no por um motivo… existe sempre uma razão para que alguém cruze o nosso caminho.

Existem pessoas que entram para ficar, por vezes para o bem e por outras para o mal… mas ficam para sempre. São pessoas permanentes que fazem parte da nossa construção enquanto pessoas, que acompanham o nosso percurso, que seguem os nossos passos, que nos ajudam, que nos aconselham, nos amparam ou simplesmente estão ali.

Existem pessoas que entram, ficam um tempo e depois saem…não totalmente porque fica sempre a memória da sua passagem, a marca positiva ou não da sua mais ou menos breve estadia na nossa vida, fica sempre a imagem mais ou menos nítida do bom ou do mau que nos deixaram.

Existem pessoas que saem ainda antes de ter entrado… pessoas que fazem uma aproximação e depois acabam por não entrar na verdade, embora se vão mantendo mais ou menos por perto… são pessoas que não sabem bem o que querem, que não sabem que papel ou que importância estão dispostas a ter… pessoas que ficam a “orbitar” durante mais ou menos tempo e que depois acabam por entrar ou não…


Qualquer que seja o caso todas se cruzam no nosso caminho por uma razão e quando partem todas deixam alguma coisa de si… umas deixam-nos aprendizagens, outras deixam-nos mágoa, outras deixam-nos conforto e saudade, outras deixam apenas vazio e angústia… no fim de contas todas nos ensinam algo, todas deixam uma lição positiva ou negativa, todas nos fazem crescer e evoluir, todas nos fazem quebrar barreiras e explorar limites, todas nos tornam pessoas diferentes…todas são peças do nosso processo construtivo e evolutivo…algumas são pouco mais do que um teste à nossa capacidade de encaixe e aos limites da nossa paciência, outras são verdadeiros suportes para todas as horas...todas trazem um quê de positivo e de negativo… todas são, à sua maneira, relevantes.

domingo, novembro 05, 2017

Aproveita o que tens

Nem sempre temos o que queremos, nem sempre as pessoas correspondem ao que desejamos, nem sempre as coisas correm como sonhamos e nem sempre o curso da vida nos leva por onde ansiamos.
Mas de que adianta deitar tudo fora só porque não é tudo como queremos? De que adianta deitar fora coisas boas só porque o todo não corresponde ao que queremos? Simples... não adianta de nada!
Se não podes ter o que sonhaste da maneira que sonhaste... tira o melhor partido do que tens, aproveita e ajusta-te! Se as pessoas não correspondem ao que desejas... ignora o que não te deixa confortável e ajusta-te aos pontos positivos! Se a vida não te leva para onde anseias...faz do caminho uma experiência e aproveita a vista, quem sabe não descobres novos percursos...
Aproveita o que tens... tira partido do lado bom da vida...aproveita o lado bom da viagem... descobre o lado bom das pessoas... vê para alem do que a vista alcança... arrisca, descobre, vive...!Não deixes que a obsessão por um ideal te impeça de ver com clareza todas as possibilidades! Não te recuses a ajustar o percurso nem a mudar de caminho...! 
Cresce, aprende, ajusta-te, renova-te, reinventa-te e sobretudo aprende a tirar o melhor partido do que tens...em vez de ser obstinado e intransigente em relação aos teus ideais. Vive!

sábado, novembro 04, 2017

(...)




(...) Sem aviso, aliás depois de muitos sinais e avisos que havia ignorado, ela partiu da sua vida… partiu sem deixar rasto…partiu na certeza de que não queria que ele a encontrasse. No começo achou que ela se ia arrepender e voltar, mas os dias passaram e depressa percebeu que deitara por terra a oportunidade de ser feliz com alguém que o amava de verdade…
Sabia que não havia volta a dar, que não podia voltar atrás, mas ainda assim sentia que tinha de fazer alguma coisa… por isso continuava a ir ao mesmo café de sempre na esperança de a ver…de a reencontrar…de lhe dizer um simples olá… ele continuava a ir e ela nunca mais voltou…
Sentado na mesma mesa de sempre…olhava o horizonte e recordava o tempo em que fora feliz…sem saber… (...)

sexta-feira, outubro 20, 2017

Divagação



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Sentei-me ali numa sombra fresca à beira do rio
e dei por mim com o pensamento a divagar,
sem saber de quê, ao certo, sei que penso e sorrio
quando a mente questiona o seu próprio pensar...
Pergunto-me porque buscam as pessoas a perfeição,
porque olham para o corpo que nos serve de embrulho,
sem lhes interessar o que vai na alma, no coração,
apenas aquilo que lhes enche as medidas do orgulho...
Pergunto-me porque buscam as pessoas apenas o ser,
porque ignoram o que importa, aquilo que não se vê,
sem questionarem o que podem estar a perder
correm atrás de uma ilusão sem saber sequer porquê...
Pergunto-me se na verdade anda meio mundo errado
buscando apenas e só  o conforto que a vista alcança...

segunda-feira, outubro 16, 2017

Palavras para quê...

                                                     Resultado de imagem para fogo



Pelos vistos não basta arder uma área absurda de floresta...não basta arderem casas... não basta perderem-se bens... não basta arder 80% de uma Mata Nacional criada há mais de 700 anos... não basta morrerem mais de 100 pessoas...pelos vistos nada disto basta para que finalmente se assuma a existência de uma máfia terrorista que gere um negócio de milhões: o sujo e mortal negócio do fogo!
Pelos vistos não basta tudo isto para alguns elementos da espécie humana, da qual nestas alturas sinto alguma vergonha de pertencer, tenham noção de que o dinheiro que ganham com o atear de um incêndio é sujo, mesquinho...manchado de sangue!
Pelos vistos não basta isto tudo para a sociedade se unir num basta gigantesco!
Pelos vistos não basta isto tudo para secar as lágrimas de crocodilo dos que atiram em todas em direcções sem se preocupar em punir culpados e tomar medidas!
Pelos vistos não basta tudo isto para perceber que é preciso fazer alguma coisas, que é preciso tomar medidas, que é preciso agarrar o touro pelos cornos sem medo dos que directamente ou indirectamente estão associados nesta máfia!
Pelos vistos não basta tudo isto para perceber que brincar com a força e o poder da natureza é uma luta desigual que vamos continuar a perder!
Pelos vistos vai ser preciso morrer ainda mais gente, ainda mais sofrimento, ainda mais cinzas, mais devastação...ainda mais dor!
Pelos vistos vai ser preciso reduzir um país inteiro a escombros antes que se perca o medo de lutar contar os poderes instituídos! Talvez quando já não restar nada...talvez aí então alguém faça alguma coisa!
Mas enquanto isso não acontece, confortemo-nos com as pancadinhas nas costas, as visitas com comitiva para a fotografia, com os discursos engravatados e de lágrima no olho, os beijinhos e abraços nos lugares da tragédia, por parte daqueles que a comunidade civil elegeu para defender os seus interesses, daqueles que supostamente deviam zelar pelo povo que representam
Pouco mais resta a este País abandonado à sua própria sorte do que a coragem, a abnegação, a luta, o sacrifício, a dor e a imensa capacidade solidária de um povo abandonado!

sábado, outubro 14, 2017

Estranhezas

Existem regras, que apesar de na verdade não existirem, são tacitamente aceites e "definem" os padrões do socialmente aceite e supostamente correcto.
Olha-se com estranheza aqueles que contrariam essas regras, os que as subvertem, os que as ignoram, os que ousam viver e que não se limitam a existir e a agir de acordo com o que os outros pensam.
Olha-se com estranheza os que ousam viver...os que ousam fazer alguma coisa, os que não se limitam a ficar sentados a ver a vida passar.
Olha-se com estranheza os que ousam corrigir o rumo das coisas, os que ousam viver a vida e ser felizes em vez de seguirem o que os outros pensam e convencionam como correcto.
Olha-se com estranheza os que são apelidados de "estranhos" porque estes saem dos padrões definidos, porque sonham sonhos que são seus e anseiam alcançar metas que são só suas.
Olha-se com estranheza os que ousam sair da sua zona de conforto, os que ousam querer mais, os que ousam fazer mais e fazer diferente, os que ousam ser quem são e não quem os outros querem que sejam.
Na verdade olha-se com estranheza tudo e todos os que fujam aos padrões... mas afinal quem ditou esses padrões? Onde estão escritos? Onde estão divulgados? Quem os aprovou? Quem fez deles regra ou quem elaborou a lei? Bom... não me parece que esse processo tenha existido... não me parece que alguém tenha decidido que é mais bonito ser magro que gordo, que é mais interessante ser alto que baixo, que é mais inteligente ser moreno que louro ou outras coisas  mais. O que me parece é que existe uma estranha necessidade de rotular pessoas e situações, como se isso tornasse quem o faz mais apto ou mais correcto, como se isso tornasse quem o faz mais perfeito ou mais feliz, como se isso fosse de facto relevante...
A verdade é que rótulos são adequados para objectos, para frascos, latas e afins, não para pessoas. 
Cada pessoa tem  sua própria identidade, o seu grão de loucura e a sua sanidade, os seus encantos e os defeitos...mas cada um é livre de ser quem e como quer...e talvez se usássemos mais respeito e menos rótulos não tivéssemos um sociedade tão deturpada e disfuncional, tão infeliz, tão insatisfeita e tão mesquinha, tão cruel e tão violenta, tão perdida e tão vazia... 

terça-feira, setembro 19, 2017

Saudade...

(...) Foi nesse momento que percebeu que na verdade não sentia saudades dela, por assim dizer, sentia saudades, isso sim, daquilo que sentia quando estava perto dela, de quem era quando estava com ela, da pessoa que ela havia feito emergir do monte de destroços que era a sua vida antes dela... (...)