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terça-feira, setembro 19, 2017

Saudade...

(...) Foi nesse momento que percebeu que na verdade não sentia saudades dela, por assim dizer, sentia saudades, isso sim, daquilo que sentia quando estava perto dela, de quem era quando estava com ela, da pessoa que ela havia feito emergir do monte de destroços que era a sua vida antes dela... (...)

sábado, setembro 16, 2017

(...)

Another sneak peak :)

(...)Era um homem adulto, mas continuava um menino, as saídas, as noitadas, os passeios com amigos…sentia dificuldade em se desapegar da boa vida a que estava habituado e embora ela de início parecesse não se importar com isso, sabia agora, que na verdade isso a afectava.
Era um menino da mamã… essa era a verdade e ela sabia-o bem…e não estava disposta a aturar essa situação por muito mais tempo…estava cansada de se sentir usada, da falta de interesse por parte dele em acompanhá-la, na sua falta de vontade de fazer programa diferentes…estava cansada de se sentir uma substituta da mamã… ele andara alheio até ao dia em que ela deixou de estar ali…
Sem aviso, aliás depois de muitos sinais e avisos que havia ignorado, ela partiu da sua vida… partiu sem deixar rasto…partiu na certeza de que não queria que ele a encontrasse. (...)

Fraqueza forte

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                                                                                                                                                          (...) Sacude a poeira e sorri dizendo que estava tudo bem, ainda que a dor lhe aflija a alma e o corpo; cerra os dentes e diz que não é nada mesmo quando as lágrimas lhe afloram os olhos e lhe entorpecem os sentidos; aguenta sem vacilar porque teme que percebam que por dentro lhe doí a alma.


Nem sempre assim fora... houve uma época em que mostrara o que sentia, em que dera o melhor de si e percebeu que isso apenas lhe iria trazer desilusões, mágoas e dores físicas e psicológicas.
E naquele dia... no dia em que o sonho se desmoronou e se viu a braços com uma vida que não escolheu, com um desfecho que não antecipara, com um caminho cheio de curvas e lombas decidiu de si para si que nunca mais ia deixar que a magoassem, ou pelo menos nunca mais ia deixar que as pessoas percebessem que o estavam a fazer. Nunca mais ia deixar que a sua fraqueza fosse motivo de troça, nunca mais ia deixar que a sua humanidade fosse motivo de dor, nunca mais ia permitir que lhe tocassem impunemente.
E naquele dia decidiu que ia renascer... enrolou quem era dentro de si mesma e vestiu-se com uma nova roupagem que nunca mais tirou... e mesmo quando a magoam, ainda que sem intenção, sacode a poeira, reprime as lágrimas, agrilhoa o peito e diz: está tudo bem! (...)

sexta-feira, agosto 25, 2017

Excerto II

(...)Naquela tarde, a caminho de casa, parou à beira da praia, seu refúgio e confidente das horas menos boas, estacionou e decidiu dar um passeio a pé pela marginal…ia perdido nos seus pensamentos quando um impacto nas suas costas o fez cair por terra… (...)

quinta-feira, agosto 24, 2017

Excerto

Sneak peek :) que é como quem diz "espreitadela". E espreitamos o quê? Um excerto. De quê? Hum...isso só o tempo o dirá :)


(...)Sem aviso, aliás depois de muitos sinais e avisos que havia ignorado, ela partiu da sua vida… partiu sem deixar rasto…partiu na certeza de que não queria que ele a encontrasse. No começo achou que ela se ia arrepender e voltar, mas os dias passaram e depressa percebeu que deitara por terra a oportunidade de ser feliz com alguém que o amava de verdade… (...)

terça-feira, agosto 22, 2017

Um cheirinho... de quem sabe o quê :)

Excerto de quem sabe...uma nova aventura :)



(...) Viveu anos preso a um amor que lhe consumia o coração e a alma e só se libertou no dia, em que sentado discretamente no último banco da igreja, a ouviu dizer "Até que a morte nos separe" àquele que se tornava seu marido e que despertara nela o amor com que ele apenas se limitara a sonhar durante 30 anos... (...)

quarta-feira, agosto 16, 2017

A Máfia do fósforo



Ultimamente todos temos acompanhado a dramática situação dos incêndios em Portugal, todos nos temos indignado, todos nos temos revoltado e todos nos temos questionado o que raio têm feito as comissões de inquérito criadas para averiguar situações semelhantes ocorridas em anos anteriores a fim de delinear estratégias e evitar que se volte a repetir tal cenário...

Também é verdade, que os Bombeiros têm literalmente estado de baixo de fogo, em todas as frentes, e que se a catadupa de palavras que tem vindo a ser vociferadas fosse água os incêndios estavam extintos à muito tempo.

Como em qualquer situação reclamamos com a primeira pessoa que nos aparece, a que dá a cara... e no caso infeliz dos incêndios quem dá a cara são os Bombeiros e são eles que por tabela levam com o rol de palavras de indignação, de revolta, de mágoa e de desalento.

Não esqueçamos contudo que os Bombeiros são pessoas, têm casa, têm família, têm pertences e que deixam tudo para trás para tentar salvar a vida e os pertences de outros, quantas vezes a quilómetros de distância...e quantas vezes enquanto combatem as chamas em povoações distantes a sua própria terra é consumida pelas chamas...fazem-no a troco de uma ninharia...sim que neste país um Bombeiro recebe por hora menos de metade do que uma senhora que trabalhe a dias, sem desprimor nenhum para a profissão que é digna e honrada e por vezes tida até como das mais mal pagas.

Mas deixemo-nos de tapar o sol com a peneira... todos sabemos que o fogo é uma máfia, um grupo terrorista organizado armado de fósforos e engenhos explosivos e movido pelo cheiro do dinheiro...ainda que isso signifique a morte de pessoas, a destruição da floresta e a literal redução a cinzas da vida das pessoas. O fogo é um negócio que movimenta milhões e que é alimentado por interesses que ninguém quer melindrar...por isso todos os anos se assobia para o lado, vem Pedro e Paulo com os seus discursos da treta, promessas e promessas e no ano a seguir lá vem mais do mesmo.

Deste negócio uma boa parte abrange dos meios aéreos para combate a incêndios. Este negócio disparou nos últimos anos. Até aos anos 90 a maioria dos meios aéreos envolvidos pertencia à Força Aérea (FAP), que nos anos 80 gastou cerca de 200.000 contos em equipamentos, nos anos 90 o Secretário de Estado da altura entendeu, sabe Deus, ou o Diabo porquê, que não competia à FAP intervir nos incêndios e que essa actividade deveria ser levada a cabo por entidades civis. O certo é que se arrumaram os C130 e que os kit MAFFS (Modular Airborne FireFighting System) foram deixados a apodrecer nos hangares de uma unidade aérea. O certo é que a Força Aérea tem uma estrutura organizada, que devidamente oleada podia poupar milhares e milhares de euros ao contribuinte... têm as pistas, têm os meios, têm as equipas de manutenção, mecânicos...ah mas os pilotos não estão preparados..ahah... pois deve ser por isso que alguns tiram férias nesta época para ir voar em empresas civis de combate a incêndios. Bom... a verdade é que a FAP não paga prémios nem comissões...

Obviamente seria necessário formação, equipamento, aeronaves para o efeito...mas ainda assim o investimento estimado (que no ano passado rondaria os 70 milhões de euros) seria muito inferior ao valor gasto anualmente com o combate a incêndios por parte de entidades civis (cerca de mil milhões de euros). Um ponto fundamental: a FAP não sendo entidade privada, sendo de todos os portugueses não tem interesse em que haja incêndios.

Mas este grupo terrorista conta com o "apoio"da justiça, que nestes casos parece ser cega, surda e muda, se não como se justifica que os incendiários tenham penas tão irrisórias (a pequena minoria que é condenada)? O que justifica que sejam apanhados, presentes a tribunal e sujeitos a termo de identidade e residência? Ah tem perturbações mentais e tal... pois... são malucos, são malucos mas fogem, não ficam lá...

Depois temos ainda a forma brilhante como funciona a descoordenação no terreno... sim... não é uma gralha, é literalmente descoordenação. Nem sequer vamos falar no bendito SIRESP, porque isso é pano para mangas...vamos limitar-nos a mencionar a forma como os Bombeiros no terreno estão atados de pés e mãos e só actuam sob ordens vindas de Lisboa! Realmente lá nos mapas deve ver-se bem as casas, as aldeias perdidas na serra, as pessoas em desespero...às vezes dá a sensação que o combate aos incêndios é uma versão infeliz daquele célebre jogo "RISK".

Resumindo e baralhando...um dia quando alguém tiver a coragem de pôr o dedo na ferida, quando o poder político tiver coragem de assumir o jogo de interesses que movimenta esta grande máquina dos incêndios, quando se discutir abertamente todos os pontos, quando as pessoas deixarem de ser ludibriadas por balelas vindas de engravatados bem falantes, quando se assumir que os incêndios são uma máfia terrorista organizada movimentada pelo cheiro de milhões de euros... nesse dia sim, talvez soprem ventos de mudança... mas enquanto esse dia não chega lembremos que os Bombeiros são meros peões neste jogo, que não fazem o suficiente porque não podem, porque não os deixam, porque não têm como... lembremos que honram o lema "Vida por Vida" muitas com sacrifício da sua própria vida...lembremos que são o elo mais fraco desta cadeia de interesses instituídos que só muita coragem, muita determinação e muita luta poderão quebrar.


quarta-feira, agosto 09, 2017

Chuva de verão

Talvez não tenhas sido mais do que chuva no verão,
Sabes, daquela chuva que refresca a terra seca e árida
E que por algum tempo lhe devolve o verde e a vida…
Talvez não tenhas disso mais que trovoada de primavera,
Sabes, daquela que chega de surpresa, sem aviso prévio
E que ao passar deixa a marca do seu estrondo seco…
Talvez não tenhas sido mais que uma folha seca no outono,
Sabes, daquelas que se soltam e rendem a uma nova estação
E revestem o chão de um manto vermelho e dourado…
Talvez não tenhas sido mais que uma noite fria de inverno,
Sabes, daquelas em que buscamos o aconchego de um gesto
E o carinho delicado de uma palavra dita com sinceridade…
Talvez não tenhas sido mais que uma tempestade de estações,
Sabes, daquelas que vêm e vão num simples piscar de olhos
E que desaparecem, dando apenas lugar a uma boa lembrança…
Talvez não tenhas sido mais do que um breve momento,
Sabes, daqueles que acontecem apenas de vez em quando
E que são maravilhosos enquanto duram… mas que acabam…
Talvez não tenhas sido mais do que uma breve e doce ilusão,
Sabes, daquelas que ficam para o resto da vida guardadas
Como o alento que um dia nos fez acreditar num novo amanhã…

quarta-feira, julho 26, 2017

Cada pessoa é um livro

Cada pessoa é um livro por descobrir, com páginas em branco ainda por preencher, com vários capítulos já encerrados, com diversos temas e assuntos.
Uns julgam o livro pela capa, outros dão-se ao trabalho de abrir e ler na diagonal à procura de alguma linha condutora e outros empregam o seu tempo na leitura do que está escrito, querem perceber, querem compreender e querem fazer parte, de alguma forma, das páginas que ainda não foram escritas.
Uns encantam-se pela capa e depois de abertas as páginas desiludem-se com o conteúdo... outros percebem rapidamente que a capa é só uma capa e que o que realmente tem conteúdo está escondido nas entrelinhas e que é necessário ter a paciência de ler para conseguir entender e chegar mais longe...outros não querem saber da capa, olham através dela e encantam-se com o pormenor da escrita...
Cada livro é um conjunto de vivências, de relatos, de ficção e de realidade... cada livro tem seu tema, sua magia, seu fascínio, seu interesse... não há um livro melhor que outro, há apenas livros diferentes...
E nós... que tipo de leitor somos? Somos dos que julgam pela capa, dos que lêem apenas as últimas páginas ou dos que se embrenham na leitura à procura de linhas condutoras que nos façam compreender o resultado final?