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quarta-feira, abril 12, 2017

Ela parecia um icebergue...

Esquecer? Isso é que estava a ser complicado. 
Nem ele sabia o quanto aquela mulher havia bagunçado a sua vida e misturado numa confusão, sem fim à vista, os seus sentimentos.
Ela tinha um ar gélido, distante, frio e inalcançavel que o atraia e ao mesmo tempo o fazia recuar... Não sabia ao certo o que sentia por ela, mas sabia que sentia qualquer coisa nova e diferente.
Mas, talvez fosse melhor não sentir, estava de bem com a vida que tinha, continuava a viver no conforto da casa dos pais e a usufruir das mordomias que o estatuto familiar lhe permitia e não estava preparado para que alguém como ela lhe entrasse porta dentro e lhe virasse os planos do avesso.
Decidiu manter as guardas em cima embora quisesse mostrar que estava de peito aberto e por isso mostrava ser o que não era na esperança que isso bastasse para ela se afastar.
Ainda para mais eram de mundos tão diferentes...como é que ele podia um dia pensar levar alguém como ela ao museu opulento que era a sua casa e apresenta-la à família? No mínimo dava-lhes uma coisinha má...por muito especial que ela fosse, não era ela que o ia levar para o mundo real, sem mordomias, sem luxos e sem estatuto. Foi assim que começou a pensar na forma de a afastar, sem levantar suspeitas, garantindo que a sua reputação se mantinha intacta, bem como o estatuto de solteirão cobiçado.
E só quando conseguiu afasta-la da sua vida, antes que ela pudesse entrar e fixar-se nela, é que percebeu que aquela mulher que parecia um icebergue  escondia um coração de ouro e tinha um sol imenso e radioso dentro de si, uma ternura, um amor, uma doçura, que nenhuma outra poderia igualar... infelizmente percebera tarde demais... e agora...agora restava-lhe libertar a frustração nas almofadas de penas de ganso que, agora, apenas serviam para lhe secar as lágrimas...

sábado, abril 08, 2017

E passou um ano...

                                                          Foto de Helena Pinto.

Não foi uma decisão fácil... começar algo novo, tão fora do comum, tão exigente numa fase em que a auto-estima parecia ter ido de férias para um destino longiquo e com bilhete só de ida. Demorou um mês... um mês... a pensar...a pensar...a experimentar...a ver...a pensar...e um mês de depois lá fui, com a certeza, porém, de que no fim do mês desistiria e não voltaria mais.

A verdade é que não foi fácil...mas depois do primeiro mês veio outro e outro e outro e já passou um ano. 

Quando olho para trás e vejo o caminho que percorri, as coisas que alcancei, os obstáculos que superei, os medos que minimizei, a determinação, a persistência e a auto-estima que melhorei confesso que sinto um misto de orgulho por ter sido capaz de não desistir e de gratidão pelas pessoas que ao longo deste tempo me têm acompanhado e me têm permitido aprender tanto, mas tanto que nunca lhes poderei agradecer o suficiente.

Desistir já não é uma opção! Agora vão ter me aguentar... por mais uns tempos :) 

Agora a vontade é evoluir, crescer, aprender, aperfeiçoar e ser cada vez melhor, não melhor que ninguém mas melhor que eu mesma...não sigo este caminho para ser melhor que ninguém nem para competir com ninguém, sigo este caminho para me tornar no melhor que posso ser.

E como dizia o mestre: sê humilde... humilde para aprender sempre, para estar aberto a aprender com tudo e com todos...porque no fundo só a hunildade nos permite aprender e ter a generosidade de partilhar com os outros os nossos ensinamentos.

terça-feira, abril 04, 2017

Love Story...or not...

Sempre se considerou um homem normal, um homem capaz de apreciar a beleza de uma mulher e sobretudo um homem capaz de seduzir uma mulher. Sempre se considerou um homem interessante, charmoso, inteligente… um gentleman…e porque não dizê-lo, um sedutor. Sempre tivera mulheres a suspirar por si e nunca tivera dificuldades em conquistá-las…mas nunca nenhuma fora capaz de lhe arrombar o coração…

Mas com ela tudo tinha sido diferente… ela desafiava os conceitos pré estabelecidos, não tinha uma beleza daquelas de tirar a respiração nem era sexy de cair para o lado mas a forma desinteressada como olhou para ele quando se conheceram fez-lhe sentir borboletas no estômago e nesse instante soube que aquela mulher lhe havia de trazer muitos problemas… e isso fazia-o sentir-se ainda mais atraído por ela.

Ela não tinha uma beleza estonteante, não usava decotes até ao umbigo, nem tão pouco saias que deixassem vislumbrar as pernas que se adivinhavam torneadas por baixo das calças de ganga, não tinha o cabelo com cores, nem com madeixas, nem com frisados mas os caracóis rebeldes que lhe emolduravam o rosto conferiam-lhe um ar doce…noutros tempos nem teria olhado duas vezes…mas havia nela alguma coisa que o fascinava…talvez fosse o jeito contido de sorrir ou a forma como mexia no cabelo ou talvez o jeito como mordia o lábio de forma nervosa…

Havia naquela mulher uma estranha complexidade que ele ansiava descobrir, um certo mistério…e a forma como ela delicadamente o dispensara quando ele com todo o seu charme a abordou e convidou para sair deixaram-no ainda mais empolgado. Mas estranhamente o desejo que sentia em conhece-la não era por despeito, nem para provar que era capaz, nem sequer para o poder descartar após o primeiro encontro…desta vez ele estava genuinamente interessado em conhecer a pessoa para além da imagem.

Não desistiu nem à primeira, nem à segunda e muito menos à décima recusa dela em sair com ele…manteve-se firme, afinal estava decidido a quebrar aquela barreira que parecia erguer-se em seu redor. E um dia, cansada de tanta insistência ela lá concordou com um café…e nesse instante temeu…não estava habituado a lidar com mulheres assim, a ser visto apenas como mais um...mas não ia ceder.

No dia marcado, há hora combinada ela chegou…no seu jeito simples, de calças de ganga, sapato raso, camisola azul-escura e um lenço às flores ao pescoço…o cabelo rebelde emoldurava-lhe o rosto fazendo-a parecer uma rapariguinha simples e indefesa mas quando esboçou um sorriso, lhe estendeu a mão e disse: olá muito prazer…derreteu-o por dentro.

Seguiram lado a lado pelas ruas da cidade até a um sítio, que pareceu bem a ambos, era movimentado, no centro da cidade e nenhum dos dois corria riscos…sentaram-se, ela cruzou as pernas e esboçou um sorriso…conversaram longamente e ao fim de algum tempo o ambiente tornou-se descontraído como se fossem dois velhos amigos a conversar. A cada palavra dela ele ficava mais fascinado com ela…reparou na forma como ela enrolava o cabelo nos dedos, como ela mordia o lábio, como brincava com as franjas do lenço…estaria nervosa? Não conseguia ler para além do que via… ela era uma muralha sem janelas…

O tempo passou…encontraram-me mais algumas vezes…foram-se tornando amigos…partilharam bons momentos…mas havia alguma coisa que não batia certo. Ela intimidava-o…era isso. Estava habituado a mulheres fúteis, desejosas de carinho e atenção ainda que passageira, mulheres sem interesses sérios, sem objectivos definidos, mulheres que se contentavam em ser vistas com ele…não sabia como lidar com ela…ela não precisava dele, não estava carente dele, não se entregava de corpo e alma, não se intimidava…ela era uma mulher independente e isso era estranho para ele. Estar com ela era libertador, permitia-lhe ser ele mesmo, era refrescante…desafiante… ela era um presente caro num embrulho modesto.

Naquele dia arriscou tudo…e depois de muitas tentativas falhadas beijou-a…e esperou o pior…os olhos dela faiscavam e percebeu que ou tudo daria incrivelmente certo ou estupidamente errado quando ela simplesmente lhe disse: mas que raio foi isso? Tentou explicar…mas as palavras não saíram…sentiu uma mistura de coisas…perdeu o chão…o coração acelerou… e só sossegou quando ela se aproximou, o abraçou e o beijou…e que beijo! Naqueles minutos sentiu o chão desaparecer debaixo dos pés, o coração acelerar como louco, sentiu-se um menino…e pensou: então é isto que se sente ao beijar uma mulher de verdade! E num segundo os seus pensamentos foram mais fortes e sem se aperceber verbalizou o que lhe ia na cabeça: ainda me apaixono por ti…e assim como se tivesse sido atingida por um raio ela soltou-lhe o pescoço, olhou-o com um ar incrédulo, como se o mundo lhe tivesse caído em cima…recuou dois passos, atirou-lhe um: tinhas de estragar tudo…e virou costas sem olhar para trás. E ele ficou ali…no passeio…sem saber bem o que tinha acontecido, sem perceber o que fizera de errado, sem chão…sentou-se e tentou organizar as ideias…e lentamente começou a perceber: ela achou que era uma piada…ela achou que ele estava apenas a ser quem era antes de a ter conhecido…

Não…! Desta vez não ia baixar os braços. Desta vez era o tudo ou nada…desta vez era a sério. Desta vez não ia deixar a felicidade escapar sem luta. E persistiu…durante dias tentou contactá-la… sem sucesso. Finalmente o playboy fora apanhado nas malhas do amor e isso estava a deixá-lo louco…sabia agora que a vida sem ela não fazia sentido… e sabia que tudo dependia dele. Decidiu começar de novo…aos poucos…começou por provocar encontros casuais…por frequentar os sítios onde ela ia… por convidá-la para sair… uma e outra e outra e outra vez…até ela aceitar…

No dia marcado, quando à hora combinada ele chegou, esboçou um sorriso, lhe estendeu a mão e disse: olá muito prazer… ela sentiu-se derreter por dentro.

quinta-feira, março 16, 2017

Saco vazio

Estava farto! Farto de coisas que lhe lembravam dela! Era como se as lembranças o perseguissem em cada lugar, em cada cheiro, em cada objeto... como se ela tivesse impregnado a sua vida e não houvesse forma de a eliminar.
Estava cansado de recordar...cansado de se lembrar dela...de a associar a cada lugar onde ia...de a sentir no cheiro familiar do perfume de alguém com se cruzava na rua... estava cansado de viver com ela sem que ela estivesse presente...
Naquela tarde encheu-se de coragem...entrou em casa, pousou as chaves, foi ao quarto mudar de roupa, vestiu um fato de treino confortável, foi à cozinha abriu a gaveta e retirou um saco para o lixo. Inspirou... e nessa tarde revirou todos os recantos da casa, revoltou todas as gavetas, todos os armários, todas as prateleiras e todas as caixas...vasculhou minuciosamente cada milímetro do seu espaçoso apartamento...e ao fim de algumas horas, cansado, sentou-se no sofá e olhou para o saco...estava vazio! Percebeu então que há muito havia eliminado todos os vestígios dela da sua casa, do seu espaço...só não havia conseguido eliminá-la da sua lembrança e do seu coração...

sábado, março 11, 2017

A mochila...

A vida é como uma mochila que nos é dada quando iniciamos a nossa breve passagem por este mundo. É uma mochila que nos vai acompanhar ao longo de todo o percurso que formos fazendo, de todos os passos que formos dando e de todas as etapas e fases que vamos atravessando.

Cabe a cada um de nós decidir que mochila quer: se uma mochila cheia de tudo e mais alguma coisa, onde colocamos tudo o que apanhamos e que com o avançar do tempo vamos arrastando penosamente sem sequer ter oportunidade de apreciar o caminho, de olhar em volta ou de aproveitar um momento para descansar e respirar...ou se uma mochila onde colocamos apenas o que nos faz bem, o que nos faz rir, o que nos faz crescer, o que nos motiva, o que faz de nós pessoas melhores e que vamos carregando serenamente enquanto apreciamos a paisagem, enquanto observamos o caminho e enquanto respiramos e aproveitamos a viagem.

Cabe a cada um de nós decidir se quer apenas passar pela vida ou se quer de facto vivê-la!

sábado, fevereiro 18, 2017

Mini Conto


Naquele dia chegou a casa, inspirou profundamente, abriu a gaveta onde,solitariamente, se encontrava a camisa azul céu com riscas pretas, olhou-a,colocou-a na máquina de lavar, fechou a porta e carregou no programa curto.

Desaparecia assim a última memória que guardara do dia em que com um abraço ela lhe deixára na camisa o cheiro do seu perfume e no coração o vazio da sua partida...

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Valha-nos a esperança de um amanhecer melhor... de um novo dia... de novas oportunidades... de novos sonhos e novas conquistas... de novos olhares e novas ideias... de novas experiências... de novos bons dias...

terça-feira, fevereiro 07, 2017