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terça-feira, julho 11, 2017

Solidariedade com plafon

É comum haver por aí umas bancas, de diversas organizações e associações, que têm por objectivo angariar fundos para as mesmas...por norma dispõem de diversos artigos que "oferecem" uma lembrança a quem dá determinado valor, normalmente 5€ ou 10€, mas que aceitam qualquer quantia que se lhes dê... e fazem menção disso quando abordam as pessoas. Até aqui nada contra, até porque para muitas destas associações esta é uma forma de sobreviver.

O que não é comum é pararmos numa área de serviço e sermos abordados por um individuo, supostamente voluntário mas com ar muito contrariado, que solicita o donativo e pede para se escrever o nome, rubricar e mencionar a quantia de 5€... hã? Cinco euros? E se não quiser ou não puder dar cinco euros? Resposta arrogante e mal humorada: tem de ser cinco euros...ou 10€, não aceitamos menos.
Ai sim? Então olhe não é nada e pronto. Para a próxima ponha aí um aviso a dizer donativo mínimo 5€... assim as pessoas não perdem tempo com gente mal disposta e contrariada como o senhor!

Mas que raio de ideia é esta? Solicitar a ajuda dos outros mas impor-lhes o quanto devem dar? Sou só eu que não acho isto normal? 

domingo, junho 25, 2017

Só agora percebia

Excerto de um texto a integrar, quem sabe, uma nova aventura:)
Comentários, sugestões e opiniões são bem vindas :)

" (...) fora egoísta e esquecera-se dela... de cuidar dela...de lhe dar tempo, de lhe mostrar o quão importante ela era na verdade, de lhe mostrar o quanto precisava dela, o quanto a queria...na verdade, percebia-o agora, tomara-a por garantida e esse fora, sem qualquer margem de dúvida, o seu maior erro.

E naquele dia quando chegou a casa encontrou apenas o vazio...procurou em todos os cantos mas tudo o que encontrou foi a lembrança do batom dela, na mensagem deixada no espelho do quarto "Chegou o dia em que é tarde demais para voltar atrás... por isso nem tentes!"

E assim... de repente... como um murro no estômago, a realidade caiu-lhe em cima..."

domingo, junho 11, 2017

Somos quem somos



Infelizmente, ou felizmente, na realidade já nem sei, não podemos agradar a todos e nunca seremos o bastante para todos....

Para alguns falta-nos o "pedigree" necessário para entrarmos no seu círculo de amigos finos e chiques, como se caracter tivesse classe social;
Para outros falta-nos a vulgaridade e a ordinarice, que apesar de condenada às claras, às escuras satisfaz as necessidades mais escusas de cada um;
Para outros falta-nos a "finesse", essa capacidade de estar à altura da situação e de aparentar ser o que não somos;
Para outros falta-nos o saber, como se todo o conhecimento do mundo se adquirisse nos manuais de uma qualquer faculdade;
Para outros falta-nos isto...e para outros aquilo... como se tivessemos de ser todos iguais... como se tivessemos de obedecer a regras de ser e parecer...

Infelizmente, naqueles casos em que as pessoas nos julgam sem sequer saberem nada de nós, apenas porque acham que somos assim ou assado, felizmente nos casos daquelas pessoas que convivem connosco lado a lado, que percorrem os corredores da vida connosco e ainda assim não nos conhecem o suficiente para nos aceitar...

Seja como for... que se dane! Não podemos e nem queremos agradar a todos... basta-nos que aqueles que veêm com os olhos da alma saibam quem somos, que "as nossas pessoas" nos aceitem como somos e pelo que somos...basta-nos saber quem somos, gostar do que somos, lutar pelo que somos...só temos nos agradar a nós próprios... e sinto pena de quem não tem a capacidade de ver para além, de quem acha sempre que os outros são inferiores e que minimiza cada uma das suas acções, de quem acha que os outros são estupidos o bastante para não perceberem o que se passa, dos que acham que são mais e melhor que todos os outros, dos que preferem desprezar a arriscar, dos que preferem enganar, mal e porcamente muitas vezes, a ser sinceros, dos que discriminam, dos que humilham e dos que ignoram só porque isso lhes dá a falsa sensação de que estão em controlo das coisas e que são superiores a tudo e todos...

Somos como somos... e tenho pena de quem não consegue ver isso...porque esses verão sempre uma pedra feia e cheia de arestas, nunca verão o diamante precioso e brilhante!

terça-feira, maio 30, 2017

Silêncios...

Há um ditado antigo que diz: quem cala consente.
Mas também existem outras teorias quanto ao silêncio perante algo:
Há quem tenha a teoria de que às vezes o silêncio é uma forma de evitar conversa com gente chata;
Há quem ache que é uma forma de evitar conflitos;
Há quem ache que é uma maneira de mostrar desinteresse face a algo;
Há quem ache que é apenas sinal de fraqueza e medo de interagir e entrar numa discussão;
Há quem ache que é apenas rude e de mau tom;
Há quem ache que é uma forma de passar despercebido;
E há quem ache que é uma forma educada de desviar o assunto e dizer que não querem nem saber...
Quem tem razão? Sei lá! Só sei que há silêncios que dizem mais que mil palavras...sobretudo aquelas que por medo ou simplesmente por cortesia não se dizem.
Mas se querem saber, e por mais que ache que o silêncio por vezes é de ouro, acho que há perguntas que não devem ficar sem resposta... porque atrás de silêncio...silêncio vem...e depois é o vazio...o oco...o nada...

domingo, maio 28, 2017

quinta-feira, maio 04, 2017

A cultura da "invejazinha"

Há por aí um hábito...um costume...uma moda, se preferirem, a que gosto de chamar a cultura da invejazinha...e o que é isso, perguntam vocês?
É simples...muito simples...existem pessoas que têm uma vida tão vazia de sentimentos, de emoções de eventos que gostam de descarregar a sua frustração em cima dos outros...sobretudo daqueles que têm vida própria...daqueles que vivem e não se limitam a ficar a vida passar enquanto se lamentam da falta de sorte, da falta de tempo...da falta de vontade...

É aquela cultura do "se eu estou mal porque é que os outros hão-de estar bem?", "se eu estou miserável porque é que os outros hão-de estar bem?", "Se eu não posso porque é que os outros hão-de poder?"...é uma opção de muitos...de tantos que alguns nem dão conta.

Parece que as pessoas que acham que têm vidas cheias porque nunca têm tempo para nada no fim de contas são as que levam as existências mais infelizes, são as que gostam de pisar nos outros, de fazer valer a sua posição de força...são as que gostam de minimizar o que os outros alcançam e diminuir o que os outros fazem...são aquelas para quem nunca nada está bem e nunca ninguém é bom o suficiente...são aquelas que não vivem e se limitam a passar pela vida...

quarta-feira, maio 03, 2017

Made in Portugal... ou talvez não...



Made in Portugal? Claro que sim...optamos sempre por produtos nacionais, com códigos de barras de empresas nacionais.

Esta explicação é ouvida vezes sem conta e devo admitir que eu própria prefiro comprar produtos de origem nacional...não é por isto ou por aquilo mas pelo simples facto de que a maioria tem qualidade e é uma forma de, supostamente, ajudar a estimular a economia e a produção nacional.

E foram esses pressupostos que deram origem a este desabafo...

Comprei num supermercado um saquinho de "Mistura de Frutos Secos", código de barras nacional de uma empresa nacional na zona do Alentejo... até aí tudo bem...mas depois fui olhar para a composição e verifiquei o seguinte:

Ingredientes / Origens

Sementes de Girassol - Bulgária
Sultana Orange (sultana e óleo de girassol)- Turquia
Sultana Dourada (sultana, óleo de girassol e conservante) - África do Sul
Arandos desidratados (arandos, açúcar e óleo de girassol) - Estado Unidos da América
Miolo de Noz - Chile
Miolo de Pevide - China

Nem um único frutinho seco deste pacote é de origem nacional!
Nem uma misera pevidezinha!
Nem uma misera semente de girassol!
Como é que é possível? Não crescem abóboras com semente em Portugal? O girassol em Portugal não tem sementes? Não temos vinhas que dêem sultanas? Não existem nogueiras por cá?

Feitas as contas estamos a comer frutos secos importados, do outro lado do mundo,  que são depois tratados e embalados em Portugal...não existem no nosso país produtores destes frutos? Os custos de importação são assim tão ínfimos que justifiquem o "abandono" dos produtores nacionais? Será este o resultado das politicas agrícolas que têm vindo a ser implementadas?
Tempos estranhos estes...

quarta-feira, abril 12, 2017

Ela parecia um icebergue...

Esquecer? Isso é que estava a ser complicado. 
Nem ele sabia o quanto aquela mulher havia bagunçado a sua vida e misturado numa confusão, sem fim à vista, os seus sentimentos.
Ela tinha um ar gélido, distante, frio e inalcançavel que o atraia e ao mesmo tempo o fazia recuar... Não sabia ao certo o que sentia por ela, mas sabia que sentia qualquer coisa nova e diferente.
Mas, talvez fosse melhor não sentir, estava de bem com a vida que tinha, continuava a viver no conforto da casa dos pais e a usufruir das mordomias que o estatuto familiar lhe permitia e não estava preparado para que alguém como ela lhe entrasse porta dentro e lhe virasse os planos do avesso.
Decidiu manter as guardas em cima embora quisesse mostrar que estava de peito aberto e por isso mostrava ser o que não era na esperança que isso bastasse para ela se afastar.
Ainda para mais eram de mundos tão diferentes...como é que ele podia um dia pensar levar alguém como ela ao museu opulento que era a sua casa e apresenta-la à família? No mínimo dava-lhes uma coisinha má...por muito especial que ela fosse, não era ela que o ia levar para o mundo real, sem mordomias, sem luxos e sem estatuto. Foi assim que começou a pensar na forma de a afastar, sem levantar suspeitas, garantindo que a sua reputação se mantinha intacta, bem como o estatuto de solteirão cobiçado.
E só quando conseguiu afasta-la da sua vida, antes que ela pudesse entrar e fixar-se nela, é que percebeu que aquela mulher que parecia um icebergue  escondia um coração de ouro e tinha um sol imenso e radioso dentro de si, uma ternura, um amor, uma doçura, que nenhuma outra poderia igualar... infelizmente percebera tarde demais... e agora...agora restava-lhe libertar a frustração nas almofadas de penas de ganso que, agora, apenas serviam para lhe secar as lágrimas...