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Mensagens

Ecos de passado e medo

Retumbam bem dentro da minha alma os sons abafados De mil e um trovões numa noite de tempestade angustiada, De um turbilhão de pensamentos inquietos e malfadados Que me trazem a vontade rendida e à incerteza agrilhoada. Ecoam no fundo do meu peito os sons de um coração Estilhaçado pelas dúvidas e trespassado pela incerteza, De um coração que tenta em vão arranjar uma explicação Para justificar o seu medo e a sua máscara de cruel frieza. Ressoam no fundo do meu espírito ecos de coisas passadas Que me transformaram o querer e me transfiguraram o ser, Lembranças de coisas outrora amadas e hoje tão odiadas Que me espezinharam a essência e me toldaram o viver. Rugem nas profundezas do meu ser fantasmas aprisionados Que nunca tive coragem para deixar partir em liberdade, Fantasmas que me acorrentam no medo e que, a teu lado, Me impedem de encontrar uma nova esperança de felicidade. (Porque por vezes o medo de soltar as amarras do passado nos impede de navegar nas águas do futuro)

Um simples desabafo...

Há uma nova actividade em vias de expansão, diria mesmo que quase desporto nacional, largamente praticada esta arte da invenção cuja finalidade é da vida alheia dizer mal. Já se perdeu o velho hábito do comentário e até do mexerico tão comum e tão banal, agora faz-se algo novo e extraordinário: inventam-se novas histórias e ponto final! Inventam-se umas coisitas para dar animação, acrescentam-se mil pontos ao conto original e se nos descuidamos e não prestamos atenção uma unha encravada passa a doença terminal! Pessoas que pouco falam e menos ainda se dão quando dão por ela estão a caminho do altar, e num volte de face cheio de imaginação antes do casamento já se estão para divorciar. Amigos, que nunca o foram, num piscar de olhos passam a ser melhores amigos desde a infância, e as histórias e as mentiras surgem aos molhos mas sempre contadas com certeza e muita elegância. E assim, se controem novas vidas, novas metas, assim se destroem verdades e probabilidades, e essas mentes desocup...

Até ao vinho

Do trabalho árduo das mãos dos lavradores que cuidam os seus preciosos vinhedos, que sem olhar a fadigas nem a dores as tratam segundo ancestrais segredos hão-de nascer cachos feitos de ricas uvas maduras pelo sol e abençoadas pelas chuvas. Quando por fim o dourado Outono chegar hão-de vindimar-se esses preciosos cachos, laboriosos pés os hão-de pisar e repisar num velho ritual destinado apenas a machos, esse mosto há-de repousar e há-de ferver para em velhos barris por fim se verter. Do mosto que nasceu cacho na primavera se fará o néctar dos deuses chamado vinho que depois de silenciosa e cuidada espera será por fim provado em dia de São Martinho, e quando é bom o resultado há sorrisos no ar pois afinal valeu a pena todo o duro trabalhar. Cada copo de vinho tem uma história a contar que começou nas vinhas, nas podas, no atar, no desladroar, no desparrar e por fim no colher e tudo mais que foi preciso para o podermos beber! (Participação no 11º Concurso Literário do site Luso-Poemas ...
Uma noites destas em que o sono teimava em não chegar, sentei-me no sofá com o comando da televisão na mão e fui fazendo o famoso "zapping", até que um programa me chamou a atenção... era sobre pessoas que se tinham conhecido na internet. Havia histórias felizes, histórias tristes, histórias de amizade, de amor...e até histórias de casamentos imagine-se! E foi desse programa que nasceu o poema que a seguir vos deixo. Quase todas as noites espero por ti no mesmo local, sentada na mesma cadeira, com a mesma luz acesa, sempre com a mesma esperança de que tu apareças, espero sempre uma conversa que não seja banal, no meu pensamento há sempre dúvidas e incertezas porque receio que tu simplesmente não apareças. Quase todas as noites aguardo ansiosa o teu contacto, sentada na penumbra, envolve-me um silêncio quieto quebrado apenas pelo aviso da tua entrada em linha, espero que me vejas aqui, neste momento exacto, espero sempre uma palavra, um sinal em tom discreto que mantenha acesa...

À minha pequena aldeia ribatejana

(Besteiras - Uma pequena aldeia) Fiz de uma pequena aldeia ribatejana Tingida pelo verde intenso da serra O chão donde minha alma emana, O meu lar e a minha querida terra. Fiz do verde intenso dos pinheiros Refúgio dos meus encantos e ilusões, Neles escrevi páginas de livros inteiros Feitos de sonho, fantasia e recordações. Fiz do chão onde nascem belas flores E do ar sempre leve, fresco e puro O maior de todos os meus amores, As raízes do meu passado e futuro. Fiz do cheiro da terra em noite de luar O perfume dos lençóis da minha cama, Fiz dele a melodia que paira no ar Sempre que a saudade acende a sua chama. Fiz de uma pequena aldeia ribatejana A minha esperança, a luz do meu viver, Fiz dela o chão donde minha alma emana A raiz de amor que jamais posso esquecer. Participação no II Concurso de Poesia em Rede subordinado ao tema "A minha terra" - 2008

Coração: Aluga-se!

Sei de um coração vazio para alugar, um coração usado e em segunda mão mas ainda com muita coisa para dar. É um coração bonito e bem espaçoso com vista sobre a rua da esperança e com um interior doce e caloroso. O anterior inquilino foi despejado e desde então o coração está vazio, sem ocupação, triste e abandonado. Procura-se alguém para o arrendar, alguém que cumpra com o acordado e que a sua palavra saiba honrar. Procura-se alguém para o habitar, alguém que queira nele viver por periodo de tempo a acordar. Procura-se alguém que queira abrir as portas, alguém que queira ficar, alguém que nunca mais queira sair. Procura-se alguém para o remodelar, alguém para mudar a velha decoração e dar a este coração um novo desejar. Sei de um coração vazio para alugar, um coração usado e em segunda mão mas com muita vontade de voltar a amar...

Amigos de papel

Nota prévia: Este poema foi escrito há alguns anos, numa altura em que era comum ter-se correspondentes ou pen-friends, se preferirem. Nessa época era comum trocar cartas, daquelas tradicionais onde o cheiro do papel se misturava com as palavras que bailavam nas linhas de cada folha. Nessa época era uma emoção abrir a caixa do correio e encontrar lá a dita cartinha. Hoje em dia... bom, escrever cartas caiu em desuso... infelizmente. Hoje em dia há os e-mails, os chats, os sms, os mms, o famoso messenger e não sei mais quantas formas de comunicação. São bons meios para comunicar, para nos deixar a um clique das pessoas que nunca vimos ou daquelas de quem apenas estamos fisicamente longe. Não tenho nada contra, antes pelo contrário, sou adepta dessas novas "modas". Mas em abono da verdade não há nada como uma carta à moda antiga... digam lá o que disserem nada se compara ao prazer de escrever uma carta, selá-la, colocá-la no correio e saber que esse gesto vai, nem que seja por ...