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Desabafo

Hoje apetece-me comprar um bilhete só de ida
Para um sitio bem longínquo e bem deserto,
Talvez para uma ilha desconhecida e perdida,
Talvez para onde o longe nunca se faça perto.
Hoje apetece-me desaparecer para longe daqui
Para um sitio onde não tenha de ver ninguém,
Talvez para um sitio de que nem falar já ouvi,
Talvez para um sitio onde nunca tenha ido ninguém.
Hoje apetece-me descer o pano e sair de cena
Para de uma vez por todas acabar com esta peça,
Talvez para não ter de ver os olhares de pena,
Talvez para uma distância que o tempo não meça.
Hoje apetece-me ir para qualquer parte incerta
Para não ter de ouvir nem ver quem quer que seja,
Talvez para ignorar a raiva que em mim desperta,
Talvez para que nunca mais ninguém me veja.
Hoje apetece-me deixar de ser eu, deixar de existir
Para deixar de ter de repetidamente passar por isto,
Talvez para deixar de sentir dentro de mim tudo isto,
Talvez para toda a gente saber que calo mas não desisto.
Hoje apetece-me dizer tudo o que me vai na alma
Para finalmente perceberem que me fazem sofrer,
Talvez para verem que vivo em aparente calma,
Talvez para me deixarem quieta com o meu viver.
Hoje apetece-me mandar tudo para o ar, para as urtigas
Para finalmente dizer tudo o que trago preso em mim,
Talvez para exorcizar memórias usadas e antigas,
Talvez para este tormento interno chegar ao fim.

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Tojos, arbustos, carqueijas, giestas, mato, rosmaninho, arruda e ervas benfazejas,  aves que fazem ninho, rochas ingremes e salientes,  águas frias e correntes, aldeias aninhadas no sopé, montes a perder de vista,  ermidas erguidas na fé, terra que o coração conquista, serenidade que embala e acalma, verde manto que o olhar prende, paraíso que nos acalenta a alma, chão que nos embala e entende!

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