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Há dias assim...

Há dias em que sou toda Primavera,
alegre, bem disposta, florida e radiosa,
uma ave que voa feliz na sua esfera,
um leve e harmonioso botão de rosa.

Há dias em que sou toda Verão,
brilhante, colorida e encantadora,
sorriso que passa de mão em mão,
esperança juvenil e sedutora.

Há dias em que sou toda Outono,
melancólica, nostálgica e calada,
um sonho que não encontra o dono,
uma sensação esquecida e ignorada.

Há dias em que sou toda Inverno,
triste, solitária, cheia de mágoa e dor,
uma alma que já viveu o seu inferno,
um desejo que já perdeu a sua cor.

Há dias em que sou quatro estações,
alegria, luz, crepúsculo e vento,
há dias em que não controlo emoções,
há dias em que tudo é desalento.

Há dias em que sou apenas eu,
onde me perco, choro e rebento,
onde lembro o que o tempo esqueceu,
onde cai e me ergo com novo alento.

Há dias em que sou eu somente,
onde me encontro, rio e aguento,
onde volto a ser Verão novamente,
onde volto a ser bálsamo e unguento.

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Chão

Tojos, arbustos, carqueijas, giestas, mato, rosmaninho, arruda e ervas benfazejas,  aves que fazem ninho, rochas ingremes e salientes,  águas frias e correntes, aldeias aninhadas no sopé, montes a perder de vista,  ermidas erguidas na fé, terra que o coração conquista, serenidade que embala e acalma, verde manto que o olhar prende, paraíso que nos acalenta a alma, chão que nos embala e entende!

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