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Andando na noite

 
A chuva furiosa e violenta deixou de cair,
no chão apenas vestígios da sua passagem,
vou andando sem saber bem para onde ir,
vou andando nas asas frias desta leve aragem.
O nevoeiro, serenamente, vai-se instalando,
as luzes tornam-se ténues, quase imperceptíveis,
poucas são as pessoas que se vão aventurando
a percorrer estas ruas de pensamentos invisíveis.
A noite estendeu o seu manto negro e gelado,
no caminho apenas vislumbres de uma direcção,
caminho sem saber se vou para algum lado,
caminho sem rumo, sem sombra de orientação.
O vento que passa varrendo as folhas do chão
sacode-me os cabelos e beija-me o rosto,
caminho alheia ao frio, ao tempo, à sensação
de que os elementos manifestam o seu desgosto.
Deixo-me envolver por esta noite fria e alada,
esvazio a cabeça e liberto os pensamentos,
e por momentos é o vazio... e nada, mais nada,
nem medos, nem tristezas, nem desalentos...

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