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Caminho por aí...

Caminho por aí sem rumo nem direcção, caminho por aí sem saber por onde vou, caminho ao som latejante de um coração que a tua cruel indiferença quase matou. Caminho por aí no meio da vasta multidão, caminho por aí sem memória ou lembrança, caminho por aí para enganar esta solidão que não me dá tréguas e nunca se cansa. Caminho por aí ao sabor do vento corrente, caminho por aí no silêncio deste vazio, caminho por aí sozinha no meio da gente que me arrasta, me atropela e me agonia. Caminho por aí como um errante vagabundo, caminho por aí em busca do que se perdeu, caminho por aí e calcorreio meio mundo em busca desse outro ser chamado EU!

Em busca de outra sorte

Trago esta ansiedade cravada em mim como um punhal, como uma poção mágica que me abafa e me faz mal, como um fantasma que me assombra e inquieta, como uma sonolência que não me deixa estar desperta. Trago esta angústia presa em mim como uma maldição, como uma força estranha que me vai minando o coração, como um dor que aos poucos me vai vencendo e derrubando, como um ferro em brasa que por dentro me vai queimando. Trago esta tristeza ancorada em mim como barco no cais, como um conjunto de negras conjunturas astrais, como um fardo que arrasto sem saber porque razão, como uma alma imensa carente de carinho e compreensão. Trago a alma triste, cansada, sem rumo nem direcção, como uma folha que se sopra ao vento da palma da mão, como uma bússola usada que já não encontra o norte, como um caminhante errante em busca de outra sorte...
Começo de ano… tempo de olhar em frente e de fazer o balanço do que ficou para trás. 2012 não foi propriamente um bom ano… em muitos aspetos. Houve coisas boas, coisas menos boas e coisas más… houve risos, lágrimas, revolta, mágoa, tristeza… e sei lá mais o quê- Olhando para trás vejo que talvez tenha magoado algumas pessoas… lamento… Vejo que decepcionei algumas pessoas… não intencionalmente mas aconteceu… preferia que não tivesse acontecido mas já que aconteceu só posso pedir desculpa. Contudo por certo não desiludi essas pessoas tanto como me desiludi a mim mesma… espero que com o passar do tempo as coisas mudem…e a decepção se torne em algo menos complicado de carregar. Vejo que as pessoas raramente são aquilo que vemos… aquilo que pensamos… aquilo que queremos que elas sejam. Vejo pessoas que depois de anos desapareceram da minha vida sem uma palavra, sem um sinal, sem um adeus… Vejo pessoas que quando as coisas se tornaram complicadas simplesmente vir...

Inspiro...

Inspiro o perfume fresco a verde, a terra, a chão E uma paz profunda e estranha enche-me o coração, Fecho os olhos e absorvo esta imensa tranquilidade, Sinto-me em paz… sem tempo, sem espaço, sem idade.

Não me peças...

Não me peças que te dê a lua porque não o posso fazer, não queiras que seja só tua a beleza do suave entardecer. Não me peças que te dê as estrelas porque não as consigo alcançar, não queiras ser o único a vê-las nem queiras seu brilho aprisionar. Não me peças que te dê a força do mar porque não o posso jamais conter, não queiras o seu impeto domar nem queiras o seu encanto perder. Não me peças que te dê o mundo porque não é meu para poder dar, não queiras ver para além do fundo porque nada mais vais encontrar. Não queiras que te dê tudo porque nada tenho para oferecer, não queiras mudar o meu mundo nem lançar amarras para me prender.

Campino

Ser campino é o meu fado, minha vida, minha paixão, sou daqui e de todo o lado onde haja touros e emoção. Ser campino é a minha sina, minha estranha forma de viver, sou liberdade que não se ensina, sou alma, sou força, sou querer. Ser campino é ser quem sou, é ser leziria e sol que queima, é ser tradição que no tempo perdurou, é ser coragem de gente que teima. Ser campino é o destino traçado desde o dia em que eu nasci, ser campino é esse o meu fado, dou graças a Deus por ser assim!

Qual barco

Qual barco navegando em alto mar Fustigam-me ondas revoltas e alterosas, Ondas difíceis de evitar e ultrapassar, Ondas complicadas, agitadas e melindrosas. Ventos fortes que rasgam as velas Fazem-me perder o rumo e a direcção, Ventos que arrastam, que desviam, Ventos que nos fazem perder a noção. Qual barco navegando em alto mar Tento evitar as tempestades sem sucesso, Tempestades que me querem derrubar, Tempestades onde me perco e tropeço. Mas heis se não quando o vento amaina E a tempestade faz-se ao largo sem demora, Vem a bonança trazer novo alento à faina, Vem a bonança trazer uma nova aurora.