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Lá fora...

Lá fora a chuva cai insistente e constante Com a fluidez de quem está habituado A desprender-se do céu e a deixar-se cair Sobre a terra que lhe abre os braços sequiosa… Lá fora o vento sopra forte e poderoso Com o assobio de quem dobra as esquinas E verga os ramos das mais frondosas árvores Como se de delicadas flores se tratasse… Lá fora o céu vestiu-se em tons de cinzento Com a tristeza de quem aguarda o brilho do sol Na certeza de que as noites serão mais belas E os dias serão mais longos e mais alegres… Lá fora a rua vestiu-se de um vazio silencioso Entrecortado pelo barulho dos carros que Ocasionalmente passam compensando A falta de gente que se refugiou em casa… Lá fora o frio enche o Inverno do seu rigor Que afasta da rua o bulício habitual E que convida ao conforto de uma lareira Debruçada sobre as páginas de um livro… Lá fora está o mundo que olho através do vidro Molhado que transformou a minha janela Num pedaço de vidro gelado onde o calor Que exalo se torna tela onde rabisc...
Antes de mais quero desejar a todos um bom ano de 2011, que ele vos traga saúde, alegria, sucesso, paz e esperança. No seguimento de um post que coloquei aqui há algum tempo venho uma vez mais ao vosso encontro solicitar o vosso apoio. Como é do vosso conhecimento no dia 07/12/2010 um tornado atingiu alguns concelhos do interior, nomeadamente Tomar, Sertã, Belmonte e Ferreira do Zêzere. É dificl ficar indiferente à destruição que este fenómeno causou sobretudo quando olhamos a terra que nos viu crescer e chamamos nossa e quase não a reconhecemos. Com base nestes factos dei inicio a uma campanha de solidariedade a fim de angariar fundos para a reconstrução dos concelhos afectados, em particular o de Ferreira do Zêzere. Uma amiga destas andanças literárias, Fly de seu "nome" deu-me a sugestão de organizar uma feira do livro e prontamente, de forma altruista e generosa se ofereceu a contribuir para a sua realização. A sugestão pareceu-me boa e após aprovação da Câmara Municipal ...

Em breve... novidades

É com imensa alegria que reparto convosco a notícia de que o repto que lancei aqui a fim de angariar fundos para apoiar as vitimas do tornado que no dia 07/12/2010 afectou algumas povoações dos distritos de Santarém e Castelo Branco já está a dar frutos. Graças à generosidade de alguns amigos que prontamente acolheram o repto já há frutos que esperamos se multipliquem... Também graças a uma amiga deste mundo virtual, em que comunicamos e onde saboreamos as letras uns dos outros, que ofereceu para além do seu contributo uma excelente ideia, está a ganhar forma uma iniciativa que vos darei a conhecer logo que estejam alinhavados todos os pormenores. Fly... de coração obrigada pela tua ajuda, pelas tuas palavras, pelo teu apoio e pela tua ideia genial... hem que sorte, já viste, és a única que sabe do que falo :) Em breve voltarei a este tema para vos apresentar esta nova fase da iniciativa que ganhou forma aos poucos e que vai crescendo graças à generosidade de todos. Obrigada a todos os...

"Um livro pela reconstrução"

Imagem retirada da Internet Numa hora como esta em que olhamos em volta e pouco se vê para além da destruição, da mágoa, da tristeza e da angústia de quem vê o telhado de uma vida literalmente arrancado de cima da sua cabeça a única sensação que me ocorre é incredulidade e impotência. Sentimo-nos impotentes face a uma força que chegou sem avisar e que à sua passagem devorou literalmente tudo o que encontrou como se de um monstro faminto se tratasse. Sentimo-nos impotentes face a um cenário de ferro retorcido, chapa amolgada como se de uma simples folha de papel amarrotada e atirada ao lixo se tratasse, telhas partidas, estruturas destruídas e vidros estilhaçados onde se reflectem os rostos cansados e ainda atónitos de quem vê parte da sua vida reduzida a estilhaços. Sentimo-nos impotentes face às árvores arrancadas pela raiz como se fossem simples e frágeis ervas daninhas. Sentimo-nos impotentes face à catadupa de emoções que nos passam pela cabeça e que não sabemos explicar. Sentimo-...

Nas franjas de um xaile negro

Imagem retirada da Internet com recurso ao Google Nas franjas de um xaile negro tecem-se histórias de saudade, escondem-se pedaços de história que não têm tempo nem idade. Na voz de um fadista sente-se a imensidão que o mundo tem, ouve-se a voz de um coração que é fiel a si e a mais ninguém. No acorde de uma guitarra tantas histórias por nascer, tantos sonhos que esperamos ainda poder ver a acontecer. Nas cordas da guitarra nasce uma canção em forma de trinado, na alma lusa há-de sempre haver a triste alegria de um fado!

Raios de Sol

Risos alegres animam o amanhecer, Alegria e sorrisos para dar e vender, Indo para a escola de carro ou a pé Os nossos meninos armam sempre banzé, Sozinhos ou em bando como pardais Descem à rua como os outros demais E num rasgo de inocência isenta de vaidade Sobrepoe-se a tudo o valor de uma amizade, Os meninos são flores sempre a crescer, Luzes brilhantes de engenho e saber.

Folhas de Outono

Ficam caídas no chão envoltas no seu manto Ornado de dourado e tecido com fios de natureza, Lindas na sua inerte mas tão bela singeleza, Hão-de ficar assim caídas, ignoradas, esquecidas Antes que o vento as sopre e as revolva pelo ar Sem destino, sem rumo, sem direcção para lhe dar. Dantes orgulhosamente verdes, frescas e reluzentes Envolviam os entrelaçados ramos de vida e de beleza, Outrora vivas hoje abandonam-se e deixam-se cair Uma após outra, após outra como que num bailado, Trocando o abraço das ramos pela frieza do chão, Ondas de castanho com laivos amarelos e vermelhos Num tapete colorido, único, fascinante e sazonal, Outono que chega na sua beleza única e especial.